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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A realidade sobre a saúde brasileira

A entrevista do Blog com Temporão - 1


Resolver problemas do SUS apenas com gestão é visão romântica 
Por Bruno de Pierro
Da Agência Dinheiro Vivo 
Durante o discurso que fez na cerimônia de transmissão de cargo, no dia 03/01, José Gomes Temporão, ministro da Saúde no segundo governo Lula, afirmou que o país está longe de ter um sistema universal de saúde que seja considerado, por todos, patrimônio coletivo de grande valor, como ocorre no Canadá e em partes da Europa. Em seguida, explicou como a relação, confusa, entre grande mídia e saúde pública é um dos fatores que obscurecem a percepção da população, não auxiliando na tomada de consciência para a discussão de problemas reais.
Para exemplificar essa relação, utilizou as pesquisas que medem a qualidade do SUS (Sistema Único de Saúde). "Pesquisas não especializadas recentemente divulgadas, e metodologicamente frágeis, entrevistam duas mil pessoas e dão o veredito: a saúde vai mal. Por outro lado, o IBGE, ao entrevistar 340 mil pessoas durante a PNAD 2008, revela outro resultado. Ao perguntar aos usuários qual a sua avaliação do último atendimento procurado no sistema de saúde, obteve como resposta que 85% deles avaliaram o atendimento como bom ou ótimo", disse.
Há pouco mais de um mês fora do governo, Temporão pode agora colocar um olhar de quem está de fora, sobre as questões mais urgentes do sistema de saúde brasileiro, que, para ele, caminha perigosamente para um processo de americanização. Em entrevista ao Brasilianas.org, por telefone, Temporão mostra-se preocupado com "certa reificação da gestão". Segundo o ministro, imaginar que os problemas do SUS podem ser resolvidos apenas com gestão é alimentar uma "visão romântica". "O subfinanciamento é um problema estrutural muito mais importante do que o problema de gestão", analisa.
Além de um balanço sobre os principais pontos de sua gestão, a primeira parte da entrevista também dedica espaço para as fundações estatais, defendidas por Temporão. Diante da polêmica que se criou, principalmente com relação à proposta de contratações CLT, o ministro afirma: "Em prestação de serviços de saúde, [a estabilidade no emprego público] pode ser um fator de acomodação e de baixo desempenho". Confira.

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