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Não há soluções individuais para problemas coletivos


Ontem, fiz a mesma pergunta em duas classes diferentes de primeiro ano universitário lá na Unilago. A pergunta era: o que incomoda vocês. Nas duas classes apareceram alunos, que disseram que os que mais os incomodava era a desigualdade.
Inédito, faço essa pergunta aos alunos em inicio de curso a anos e nunca ouvi essa resposta. Quando eu digo que o que me incomoda é algo que extrapola meus interesses individuais e imediatos e chamo a atenção para algo do qual às vezes eu não faço parte, a desigualdade, é porque consigo me ver como pertencente a um todo onde me sinto incluído e participante.
Esse sentimento de se sentir parte do todo para além dos meus próprios e egoístas interesses é uma capacidade, uma consciência crítica inicial e necessária para se pensar a sociedade de outra maneira. Em vez de soluções individuais, precisamos das soluções coletivas.
Conto isso por que? Quando falava ontem da molecada que casa e tem filhos muito cedo e inconseqüentemente, apontava como causa geral a necessidade desta geração de fazer algo importante e que tenha importância social, ainda que o casamento e família estejam vivendo uma forte crise.
Essa necessidade de estar fazendo algo importante, estar integrado socialmente, é um sentimento que sempre esteve presente nas várias gerações de jovens a muito tempo. As revoltas e revoluções culturais do século XX, todas elas protagonizadas por gente jovem, é fruto do desejo típico nessa idade de construir algo importante, de mirar um projeto e tornar-se sujeito para sua construção.
Chamo a atenção para tudo isso, para dizer que talvez nós estejamos vivendo um esgotamento na juventude desse pacote da felicidade estéril, fútil e sem sentido do mercado de consumo.
Jovens preocupados com a desigualdade ou uma garota de 17 anos que disse nessa mesma aula que gostaria de ser vereadora aponta para novas possibilidades daqui para frente e precisamos estar atentos para isso. Luciano Alvarenga

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