Pular para o conteúdo principal

Libia: Kadafi

Líbia: os horrores do pátio de Kadafi

Deborah Berlinck, O Globo

O soldado Akram Ali, 25 anos, e o professor de escola Issam El Bassiuni, 43, não se conheciam. Ontem, no escuro, com a ajuda de duas marretas, lanternas e a luz de telefones celulares, os dois homens escavavam alucinadamente uma parede numa espécie de bunker subterrâneo semidestruído no quartel-general do Exército de Benghazi — segunda maior cidade da Líbia, hoje sob o comando dos rebeldes.
Interromperam a escavação de noite, prometendo voltar hoje com uma britadeira.
— Estou 100% certo de que tem corpos escondidos aqui. Eu conheço este presidente (o ditador Muamar Kadafi) — dizia Issam, com o rosto preto de poeira, os pés encharcados numa poça d’água, quase espumando de raiva.
Uma semana depois da tomada da cidade pelos rebeldes, os líbios de Benghazi estão descobrindo o terror do regime de Kadafi: os buracos da morte, onde, segundo testemunhos, pessoas eram jogadas ainda vivas ou depois de executadas.
Akram, um soldado desertor que pertencia a um outro regimento, conta que ajudou a tirar 20 pessoas vivas de dentro de um destes buracos, logo depois da conquista do quartel-general. Haviam escutado gemidos através de um tubo de ventilação.
— Foram torturados e colocados no buraco, coberto de areia. Passaram dez dias sem água ou luz. Estavam colados uns nos outros, praticamente de pé, no meio de mortos — contou, dizendo que não conhecia nenhuma das pessoas.
A reportagem do GLOBO entrou em dois destes buracos com a ajuda de líbios que, chocados, hoje fazem uma peregrinação ao local, pedindo morte a Kadafi.
(...) Sustentados por estacas de madeira, com paredes cimentadas com tijolos, vários destes buracos foram descobertos nos últimos dias, todos no pátio do enorme quartel-general do Exército — principal local da batalha de Benghazi, que teria feito cerca de mil mortos.
— Também descobrimos nos buracos corpos de 105 soldados executados — revelou o soldado Akram.
Segundo os relatos, as pessoas eram jogadas ali e, depois, os buracos eram camuflados com areia, de forma que quem andasse no pátio não tivesse ideia de que passava exatamente sobre os condenados à morte.
Num dos buracos havia um pequeno tubo para respirar, o que sugere que a pena era a morte lenta. A estrutura, com cimento e estacas, também indica a existência de um método de terror premeditado.
Leia mais em O Globo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…