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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fome de significado




Em um ano dois jovens se conhecem, namoram, vão morar juntos, ou casam e tem um filho. Em mais um ano eles estão separados, voltaram a morar na casa dos pais e o filho que tiveram no ano anterior agora é responsabilidade dos avôs, quando há avós.
Essa ânsia em fazer tudo ao mesmo tempo agora como se não houvesse vida possível na semana seguinte explica-se pelo fato de que nada dura ou tem garantia de que irá durar. Para esta geração que ai está vivendo tudo ao mesmo tempo agora é realmente tudo agora mesmo.
De alguma maneira eles sabem que não terão uma família no sentido tradicional e comum, de que não viverão um casamento para sempre, de que não morarão na mesma rua com seus filhos durante décadas. De que não haverá almoço de domingo com a família que eles criarão. Essa consciência, inconsciente ou não, faz com eles se lancem desta maneira a fazer tudo de uma vez sem pensar nas conseqüências, na verdade eles pensam, pensam que nada haverá daqui um ano. Então vamos viver tudo agora.
Essa geração e as próximas que virão, por algum tempo ainda, carregam a marca da descartabilidade, das coisas que perdem a validade em alguns semanas ou meses, dos comportamentos e atitudes que saem de moda antes que tenhamos nos acostumado com elas.
Casar e ter filhos com alguém que mal se conhece, é um maneira de ter alguma coisa que tenha valor, mesmo que por um tempo tão curto. Afinal a sociedade ainda aplaude pessoas que casam e tem filhos. Este pessoal curte este pequeno valor, esta autoridade, este sentir que fizeram algo importante ainda que isso seja uma ilusão apenas em suas cabeças.
Durantes os dois anos em que tudo aconteceu e já acabou eles puderam sentir, pelo menos é o que imaginam, aquilo que as pessoas de outrora sentiam na mesma condição. Senão em uma vida inteira, pelo menos em um ano. É a fome de significado numa vida sem significado algum. Luciano Alvarenga

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