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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Documentário Massa Crítica (parte 1)

Eu e Alba estamos iniciando nesta onda. L.A




Rio Preto

Diário DA Região

Vou de bike
Bicicleta pode melhorar o meio ambiente, o trânsito e a saúde
São José do Rio Preto, 21 de outubro de 2007
Pierre Duarte
Joseane não dispensa equipamentos de segurança na hora de pedalar

Michelle Monte Mor

Em um país onde circulam 30 milhões de carros e 176 milhões de pedestres transitam, pode parecer que não há espaço para um meio de transporte simples, não poluente e barato, a bicicleta. Apesar de muito pouco utilizada no Brasil, dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas) indicam que em 2005 elas já eram 60 milhões no país, 44% só na região sudeste. De acordo com a Associação, em 2004, por exemplo, foram vendidas 2,5 milhões de bicicletas, contra um milhão de carros. Poucos sabem, mas o Brasil é o terceiro produtor mundial de bicicletas, com 4,2% da produção mundial, cerca de cinco milhões, atrás apenas da China, líder absoluta, com 66,7% e da Índia, com 8,3%. Aqui, o principal entrave para o uso desse tipo de transporte é a falta de ciclovias. Na Europa, por exemplo, a Holanda tem mais de 16
mil quilômetros de infra-estrutura cicloviária, somente em estradas, e mais de 18 mil quilômetros em suas cidades.

Isto representa que um país com um quinto do território do Estado de Santa Catarina, consegue ter quatorze vezes mais infra-estrutura neste campo do que o Brasil, com 8,5 milhões de km². Este é um exemplo de um país rico (16ª economia do mundo, com um PIB de US$ 622 bilhões) que incorpora a bicicleta na matriz de transporte. Em Munique (Alemanha), são 1.400 km de ciclovias. Além disso, a cidade oferece facilidades para 24 mil bicicletas, incluindo estacionamentos e serviços de atendimento especial para socorros urgentes. No Brasil, 53% das “magrelas” são utilizadas para o transporte ou trabalho e têm até cinco marchas; 29% pelas crianças e jovens, 17% para o lazer e apenas 1% para esportes radicais, de acordo com dados da Abradibi (Associação Brasileira dos Fabricantes, Distribuidores, Exportadores e Importadores de Bicicletas, peças e Acessórios).

Em Rio Preto, a secretaria Municipal de Trânsito e Transportes estima que existam cerca de 50 mil bicicletas. Aqui, como no resto do País, as ciclovias fazem muita falta. Os ciclistas disputam os espaços das ruas e avenidas com carros, motos, ônibus e caminhões. Além disso, muitos reclamam dos buracos. Segundo Amaury Hernandez, existe um projeto de ciclovia para a cidade. “Ela já está no orçamento do ano que vem, mas a realização da obra depende da disponibilidade de recursos e da arrecadação”, diz. De acordo com Hernandez, serão 24 km de vias para os ciclistas, com 3 metros de largura. Serão interligadas 10 avenidas, a maioria da zona Norte, a mais populosa da cidade. A ciclovia também passará pela Represa Municipal e por ruas da zona Leste. O projeto irá aproveitar espaços existentes, que podem ser readequados. No Brasil, são 2.505 km de ciclovias disponíveis em 279 municípios.

A implantação de infra-estrutura cicloviária deve garantir não só a segurança de ciclistas mas também de todos outros usuários das vias, promovendo visibilidade e previsibilidade. Projetos geométricos, medidas de moderação de tráfego, proteção física para pedestres e ciclistas, sinalização e fiscalização, são medidas que contribuem, quando bem planejadas, para a segurança no sistema viário e para a redução de acidentes. E por falar nisso, em 2006, a secretaria de Trânsito registrou 288 acidentes envolvendo ciclistas nas ruas e avenidas de Rio Preto. Uma pessoa morreu. A polícia Rodoviária Federal registrou nove acidentes e a Estadual, três. O Ministério das Cidades lançou este ano o programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta. Com ele, pretende incentivar o uso do veículo no País. Dados do Ministério apontam que os principais problemas dos ciclistas são os buracos (37,9%), o trânsito intenso (21%) e ausência de ciclovia (7,3%).


Helio Tuzi
Wiler da Silva, usa a bicicleta para ir ao trabalho, ao clube e jogar bola

Ir trabalhar de bicicleta? Sim, é possível
Você já pensou em deixar o carro em casa e ir para o trabalho de bicicleta? Nem pensa em fazer isso? Pois saiba que muitas pessoas em Rio Preto já têm esse hábito. A administradora de empresas Joseane Marthos Bezas é uma delas. Há três meses decidiu deixar o carro de lado e pedalar 14 quilômetros todos os dias para chegar ao trabalho. “Saio de casa logo no início da manhã. Em 15 minutos estou na empresa. Antes, levava meia hora”, diz. Além de manter a forma física, outros benefícios fizeram Joseane trocar o carro pela bike: economia e preservação do meio ambiente. “Agora gasto menos com combustível, seguro e manutenção. Além disso, me sinto bem melhor, pois além de ajudar a minha saúde, preservo a natureza”, afirma. Mas nem tudo está perfeito. A administradora gostaria que a cidade tivesse ciclovias e que motoristas de ônibus e carros respeitassem mais os ciclistas. “Os piores lugares para pedalar são as avenidas de Rio Preto. Não há respeito e o trânsito é intenso”, explica. Por isso, ela prefere as ruas paralelas e não dispensa o uso dos equipamentos de segurança, capacete, lanterna, farol, buzina, óculos, luvas, mochilas e roupas chamativas. “O mais importante mesmo é obedecer a sinalização de trânsito, respeitar os sinais de pare e semáforos. Muitos ciclistas se esquecem disso”.

Nas condições normais, considerando o atrito nos cruzamentos e em outras circunstâncias de tráfego, a velocidade média de uma bicicleta pode variar entre 12 km/h e 15 km/h (de acordo com o modelo e com o preparo físico do ciclista). Isso mostra que as viagens de bicicleta são 3 a 4 vezes mais velozes do que a caminhada e, algumas vezes, mais rápidas que automóveis, dependendo das condições de congestionamento. A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu a bicicleta como o transporte ecologicamente mais sustentável do planeta. Embora tenha recebido esta honraria, muitos países, como o Brasil, não concedem atenção às necessidades dos seus usuários. Wiler Roney Luchetta da Silva, por exemplo, já sofreu um acidente com a sua bicicleta. Ele trabalha como ajudante de sapataria e usa o veículo para ir a todos os lugares, trabalho, escola, clube e futebol. “Tive de passar por uma cirurgia na perna porque um carro me fechou e caí. Além da falta de educação, nós, ciclistas, temos de lidar com o trânsito complicado e com os buracos”, diz.

Com uma bicicleta de 18 marchas, Wiler trafega até seis quilômetros por dia. Ele trabalha na zona norte de Rio Preto e afirma que na empresa, a maioria dos funcionários também usa a bicicleta como principal transporte. Apesar de só levar 15 minutos para chegar ao trabalho, ele pretende trocar a “magrela” por uma moto. “Sei que vou gastar mais, mas por outro lado, chego em menos tempo. Mas nunca vou abandonar a bicicleta, pois faz bem à saúde”, diz. Além dos problemas como trânsito, buracos e desrespeito, Wiler lembra que a bicicleta tem um ponto fraco: é fácil de ser roubada. “Eu já perdi duas. Sempre tranco, mas se não conseguem levá-la, tiram as rodas, banco ou acessórios. Faltam, além de ciclovias, estacionamentos adequados”, afirma.

Para não correr riscos, ele sempre do lado direito, toma cuidado com as motos e não anda perto de ônibus ou caminhões. “Uma dica que dou é: nunca, nunca mesmo, pegue beirão. É muito arriscado”.
De acordo com a lei de trânsito brasileira, o ciclista é obrigado a colocar refletores dianteiros, traseiros e dos lados da bicicleta, ter uma campainha ou aviso sonoro, além de um espelho retrovisor. Se não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, os ciclistas devem trafegar no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores. Pedalar no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, só é permitido se houver ciclofaixa ou ciclovia. E os motoristas mais afoitos devem lembrar-se que é infração média não guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta.
Sergio Menezes
O carteiro Jean Perpétuo Gonzaga e sua bike

O bem em todos os sentidos
Com o uso da bicicleta como meio de transporte e lazer, é possível atingir um gasto energético semanal de 1 mil kcal com facilidade. Além disso, é ótima para os músculos, já que para deslocar-se, o ciclista utiliza seus membros inferiores e superiores, mobilizando sua musculatura de tal maneira que o veículo funciona como extensão do seu próprio corpo. Foi pensando em manter a forma e em economizar que a fisioterapeuta e professora de pilates, Ligia Carla Dan, deixa o carro na garagem três dias por semana. Nesses dias, o Audi dá lugar a uma bicicleta de 21 marchas, amortecedor e banco anatômico com capa de silicone. “Há quatro meses decidi mudar a minha rotina. Já saio do trabalho me exercitando. Antes de ir para casa pedalo 50 minutos. É bem melhor, pois se for para casa e só depois para a academia, fico desanimada”, diz. Além dos benefícios físicos, Ligia Dan destaca que agora ela ajuda a preservar o meio ambiente e gasta menos. Assim como os outros ciclistas de Rio Preto, ela reclama da falta de respeito no trânsito, principalmente na avenida Alberto Andaló, e dos buracos. “É preciso prestar atenção às buzinas e manter a bicicleta em dia”, afirma.

Se você se animou e já está pensando em acordar amanhã, pegar a bike e trabalhar, muita calma! Para sair pedalando por aí é preciso esforço e preparo físico. De acordo com a cardiologista Valéria Braile, quem é sedentário precisa passar por uma avaliação médica e cardiológica antes de abandonar o carro. Inclusive os mais jovens. “Se estiver tudo bem, é uma atividade ótima para todos e não há limite de pedaladas. Só é preciso ficar atento e usar proteção para a pele, boné, óculos, roupas adequadas e ingerir muita água”, diz. Valéria Braile explica que na Europa, diferente do Brasil, andar de bicicleta é uma prática usual, pois há educação no trânsito e ciclovias. “Nos EUA, devido ao crescente número de jovens obesos, a sociedade médica sugeriu a implantação de ciclovias para que eles abandonem os carros e utilizem a bicicleta”, afirma.

Mas não existem somente pontos positivos. Com ela, os ciclistas ficam expostos à intempéries e à poluição; devem lidar com rampas e desníveis e estão fisicamente mais sensíveis. Além disso, é um veículo mais fácil de ser furtado ou roubado. Ela também traz efeitos positivos para a economia do País, decorrentes da produção, montagem e comercialização. Em média, são produzidas 5 milhões de bicicletas por ano, no Brasil. Em 2006, as 244 empresas fabricantes e de peças, empregaram 19.650 pessoas, enquanto as lojas ofereceram 18.310 vagas e as oficinas, 97.900, de acordo com dados da Abradibi.
Pierre Duarte
A fisioterapeuta Ligia Carla Dan usa a bicicleta

Aquisição e manutenção
Dentre todos os veículos de transporte urbano, a bicicleta é o mais barato em termos de aquisição e manutenção. O preço do modelo mais simples, de ferro, com 18 marchas, gira em torno de R$190. Também o custo da manutenção, além de pequeno em termos absolutos, chega a ser desprezível quando comparado aos dos demais veículos de transporte individual. A revisão custa entre R$ 5 e R$ 40. “A manutenção simples, que verifica freios, câmbio, pneus e óleo na corrente sai por R$5. A completa consiste em fazer a regulagem de todos os itens, lavar e engraxar. Além disso, buscamos e entregamos a bike na casa do cliente”, diz Jorge Antonio Martins, proprietário de uma loja de bicicletas e acessórios em Rio Preto. Jorge Martins comercializa bikes personalizadas, de 18, 21, 24 ou 27 marchas, de alumínio ou ferro. “O ciclista pode comprar uma simples e fazer um upgrade, instalando rodas mais resistentes de aro duplo, GPS, velocímetro, verificador de calorias, cubos e freios mais leves, pedais de alumínio ou sapatilha ou fazer melhoras no câmbio dianteiro, traseiro, nas catracas ou pé de vela”, explica.

Segundo ele, o conforto é essencial. Por isso mesmo, não esqueça do selim e escolha um confortável. “SE o ciclista sofre ao pedalar, perde o gosto e desiste”, diz ele. O importante é calibrar os pneus semanalmente e manter o veículo sempre em ordem. Na oficina de Carlos Agostinho Castelan, são atendidas 30 bicicletas por semana. Os principais problemas são rodas tortas, pneus furados ou carecas e problemas no cabo de aço dos freios e marchas. “Alguns ciclistas usam o freio bruscamente ou empinam. Isso faz com que os pneus durem menos. Mas o maior inimigo da bicicleta é o buraco”, diz ele. Com manutenção correta, os pneus podem durar até dois anos.

Boa para tudo
A bicicleta hoje é vista como uma solução saudável para diminuir a poluição e também como forma de manter a saúde. Mas alguns profissionais ganham a vida com ela. No início, Jean Perpétuo Gonzaga sofria para pedalar os 15 quilômetros e entregar as cartas. Hoje, se sente ótimo e gosta muito do que faz. Carteiro há três anos, ele diz que é preciso muito preparo físico para fazer o serviço. “Percorro até dois bairros todos os dias, carregando até 20 quilos ou 600 mil cartas. Para agüentar, tomo muita água e como alimentos leves”, diz. Em Rio Preto, de acordo com os Correios, existem 62 carteiros ciclistas. Jean afirma que os únicos problemas em trabalhar com a bicicleta é a falta de respeito no trânsito. “Alguns motoristas buzinam e mandam sair da frente. Em algumas avenidas, dependendo do horário, os carros quase passam por cima do ciclista”, diz.

Para ele, a regra de segurança mais importante é respeitar as normas de trânsito. O carteiro confessa que, apesar de gostar da sua companheira de trabalho, a trocaria pela moto. “Quem faz entrega com motocicleta ganha mais”, diz. De acordo com os Correios, a divisão entre bicicletas e motos é feita com a ajuda de um programa que calcula a quantidade de quilômetros rodados pela quantidade de pontos de entrega. Mas Jean Gonzaga afirma que nunca abandonará o hábito de pedalar. Morador de Nova Granada, ele, a mulher e a filha costumam se divertir e passear de bicicleta aos finais de semana, pois ainda não possuem carro. “Além de me ajudar a garantir o salário a bicicleta me deixa em forma e com saúde”, diz.

Serviço:
Cia. da Bike - (17) 3227-4848
Ciclo Bike Nenê - (17) 3234-4626
Valéria Braile - Cardiologista - (17) 4009-3939
Fit Way - (17) 3227-2929
www.abradibi.com.br
www.ta.org.br
www.bicicletada.org
www.escoladebicicleta.com.br
www.pedalabrasil.com
www.mobiciclo.org












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