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Crises da alma


Crise não é o fim, é o início


Viver as crises que nos arrebatam ao longo da vida é, preparar-se para viver melhor.
A crise nos dá outros olhos, olhos novos, com o que passamos a ver o que antes nem imaginávamos. Não é à toa que hoje a maioria sofre de triste cegueira, continuam enxergando com os olhos de tenra idade, não os trocam durante as muitas crises que não quis viver. As crianças enxergam bem porque sabem trocar de olhos a cada dia e experiência que absorvem, por isso sofrem, e regateiam, mas não desistem e, por isso sempre nos surpreendem.
Ocorre que com o tempo, passamos a não mais querer viver as crises, nós a evitamos o mais que podemos, não a aceitamos. Negamos nossos novos olhos, preferimos a comodidade do antigo. Não é fácil ver com outros olhos. Isto nos exige capacidade de mudar, de nos permitir as rugas que um novo olhar desenha.
Mudar de olhos é mudar a visão, é quebrar as próprias certezas,  A cada olhos que trocamos voltamos ao primeiro ano da escola, mas voltamos mais saberetas. Mas quem é que tem coragem de voltar ao primeiro ano. Quem consegue assumir que olha com outros olhos o que antes firmou como imutável.
Nos acostumamos com as certezas que antigos olhos nos deram, sem saber que eram olhos de outro eu que já se foi. Entristece encontrar pessoas que, desapercebidas de seus olhos, tomam como verdadeiras o que são toscas sombras do real. São pessoas que não são mais o que pensam que são, olham com os olhos embaçados que não trocou pelos novos que as crises sempre dão. Continuam afirmando aquilo que os antigos olhos lhe disseram - vivem a vida olhando pelo retrovisor imaginando ver o horizonte.
Por isto muitos estão vendo, más não enxergando. Sua visão está embaçada pelos anos de uso, e por isso enxergam menos, não olham com os olhos da alma, olhos refinados e de alcance longínquo. Percebem, mas não distinguem, intuem, mas não concluem.
Os olhos que as crises e tristezas nos dão, esses olhos esculpidos na dor das perdas, dos sofrimentos, das vontades insatisfeitas, dos sonhos que nos obrigamos a mudar, são olhos de lince. Estes olhos não nos largam desprotegidos, nos permitem com sua musculatura desenvolvida e aguçada que, enxerguemos as razões que nos confortam, os sentimentos que nos amparam, a verdade e os verdadeiros que nos abraçam.
Devíamos nos alegrar com as crises que nos avizinham. As crises são as trombetas a anunciar uma nova fase, um novo tempo, um novo "eu". Devíamos celebrar as crises, darmos uma festa e dizer: “Estou entrando em crise, ficarei recluso e distante, preciso fazer o percurso que essa nova crise me exige; mas voltarei, e voltarei melhor e maduro e, tão diferente, e tão bonito, que não vejo a hora de partir”.
Que bom seria se em vez de a crise que toma conta dos nossos entes e amigos, ao contrário de querermos resolvê-la, passássemos a incentivá-la. Devíamos preparar o ambiente cada vez que alguém dos nossos entra em crise. Permitir-lhe que faça sua viagem interior em paz, não aborrecê-lo com nossas vis vontades, nossas pueris necessidades de vermos todo mundo constantemente bem, quando na verdade, ficam cada vez pior.
As crises são nossas trocas de plumagem. Na crise renascemos, saímos dos círculos infernais com força inabalável. Quem experimentou uma crise, dessas que nos jogam de peito ao chão, sabe da força com que se renasce. O sol brilha com tanto brilho e intensidade, e de tal forma enchemos os pulmões com o calor do novo dia, que durante anos vivemos as experiências e lembranças dessas que, são as viagens realmente profundas.
Crise não é o fim, é o início, mude a alma, não o guarda-roupa.
 Luciano Alvarenga Sociólogo

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