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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tragédias renovadas


Passei em frente a Câmara municipal ontem e vi um grande caminhão estacionado no meio da rua, bloqueando uma das faixas, mas que não me pareceu incomodar os transeuntes, dado a nobreza da causa.
A iniciativa a julgar pela faixa no caminhão é dos vereadores da cidade, o que também me pareceu um nobre gesto. Aliás, até troquei duas ou três frases com o novo presidente da camara Oscarzinho, que aliás anda sumido das manchetes dos jornais, seja por boas ou más noticias.
São curiosas determinadas coisas no Brasil, as mortes acontecidas em Teresópolis, Vale do Rio Preto e outras cidades do Estado do Rio de Janeiro é responsabilidade direta do poder público. São pessoas que moram em lugares impróprios, bairros e condomínios construídos com autorização do vereadores destas referidas cidades, provavelmente em troca de pecúnia ou votos, ou as duas coisas.
Puxadinhos, zonas rurais transformadas em áreas urbanas, moradias próximas ilegalmente de rios e encostas, mas autorizadas pelos vereadores daquelas cidades é que produziram a tragédia em que ainda não se sabe a extensão de mortos. Vereadores ajudando pessoas desesperadas de localidades onde tudo de errado é produzido com a chancela dos vereadores deles chama a atenção, por que aqui mesmo no nosso município tais irregularidades acontecem todo santo dia, com as bênçãos trágicas dos nossos vereadores.
A chuva que provocou a desgraça foi segundo o INPE de 125 milìmitros, eu não sei o quanto é isso, mas é muito como vimos por que produziu mais de 800 mortes. Na Austrália choveu nestes dias 200 milímetros, quase o dobro, sabe quantas pessoas morreram, 19. A diferença é que lá ninguém mora onde não deve, nem os vereadores aceitam favores ou motivações extras para aprovarem coisas que terminam em tragédias. É Expressamente proibido morar em encostas e próximos aos rios naquele pais, e os vereadores deles não transformam áreas rurais em urbanas para dar um drible na lei.
 E nos mais, se alguma pessoa houve que estava onde não devia, por alguma razão, foi avisada pela prefeitura 24 horas antes da chuva pra poder ter tempo e sair.
De um lado, irresponsabilidade, descaso com a coisa pública e a população, imaturidade profissional e tragédia. Do outro lado, maturidade política e consciência das responsabilidades que o cargo exige, visão de sociedade e a certeza de que ao poder público cabe fazer aquilo que é certo, não o que a população quer, mesmo que se perca votos. Luciano Alvarenga

http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Cidades/46285,,Chuva+alaga+a+avenida+Alberto+Andalo+Assista+ao+video.aspx

Um comentário:

Rogério Faria disse...

Luciano,

É grave o problema de ocupação de área irregular, mas isso é culpa do Estado. Ora é vista grossa, ora é até incentivado, com melhorias e cobrança de tributos. Depois, sobra para o coitado ser despejado. E a responsabilidade do Estado que não fiscaliza e não proporciona moradia adequada à população necessitada? Isso ocorreu aqui em Paraibuna com as famílias do Chororão. Algumas estavama lá, em aparência de regularidade, por quase duas décadas.

Quanto à tragédia no RJ, há outro ponto que também deve ser observado, e diferencia do ocorrido na Austrália. Aqui houve um cataclismo. Olhe que interessante: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110127/not_imp671661,0.php

De qualquer forma, o Estado não está isento de suas responsabilidades visando prevenir ou reduzir as consequências.

Abraço.

Rogério Faria

http://www.soliloquioinsipiente.blogspot.com/