Pular para o conteúdo principal

Enchente e Tiririca


Estava assistindo um video caseiro feito por moradores da zona norte de São Paulo durante uma enchente nessa região estes dias.
O vídeo bem feito registrava o tormento, os berros e os xingamentos que fizeram ao Kassab e ao Serra, ainda governador.
A população deve mesmo não dar folga aos governantes. Mas não deixa de ser estranho o fato. Por que a mesma população deu 1,5 milhões de votos ao tiririca.
Uma coisa está diretamente ligada a outra. As enchentes de hoje são resultado dos tiriricas de ontem. Quantos tiriricas não tão conhecidos não foram eleitos e reeleitos nas últimas décadas, votando coisas que desconheciam, aprovando medidas de funestas conseqüências futuras e cá estamos nós com nossas enchentes.
O Brasil já teve e tem ótimos governadores, mas a qualidade média de prefeitos e vereadores sempre foi um horror. Quem nós gostamos de eleger nossos vereadores. O Tião da Máquina, o Antônio da borracha, o Zé Maloca, enfim pessoas até boas, mas impróprias para um cargo desta importância.
A população perdeu o senso da importância deste cargo, e elege sem peso na consciência figuras hilárias, despreparadas, quando não notórios corruptos. Uma boa e bem preparada Câmara de vereadores é mais importante do que o prefeito. O prefeito é mais refém dos interesses escusos que o cercam, o vereador pode ter muito mais autonomia.
Mas o que acontece, como os eleitos quase sempre são péssimos e nunca deveriam ser vereadores, ocorre que se transformam em funcionários do prefeito. O prefeito manda projetos para a camara que quase sempre os vereadores não lêem, e não lêem por que nada entendem nem estão preparados para corrigi-lo caso seja necessário e acaba que o prefeito faz o que bem entende, quando não para atender interesses estranhos as necessidades da população.
É claro que existem vereadores bem intencionados e se esforçam para fazerem um bom trabalho, é válido. Mas é insuficiente quando se trata de legislar sobre uma cidade toda. Estarei em Brasília este fim de semana ministrando uma palestra justamente para quem quer ser vereador. São os partidos começando a se preocupar com a formação dos seus quadros. Luciano Alvarenga

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…