Pular para o conteúdo principal

A necessidade de uma oposição civilizada

A necessidade de uma oposição civilizada

Por ercamargo
Sem ir muito longe, sabemos que a contraposição "nós" contra "eles" é uma tática amplamente empregada por setores tanto no poder quanto aqueles que buscam alcança-lo. Foi amplamente utilizado por facistas e nazistas, mas também por ditaduras militares e por grupos de direita e esquerda que, inclusive, chegaram ao poder por meio de eleições. Esse discurso apenas interessa a quem se antepões à democracia e busca o poder para perpetuar-se ou enriquecer. Ou ambos. 
O grande perígo dessa retórica do "nós" contra "eles" é que rapidamente contagia a todos e aqueles que conseguem evita-lo são excluídos com violência do debate político. Não acho que a verdade sempre estará no meio-termo, mas não nego que eventualmente é aí que ela está, mas o jogo democrático há espaço para a direita, esquerda e centro. O que não pode existir é espaço para o calhorda e criminoso.
As eleições de 2010 mostraram a urgência da oposição se reorganizar e se reorientar dentro da disputa democrática. Poderia discutir como a situação escolheu a candidata à sucessão presidencial, mas seria uma discussão desnecessária visto sua vitória eleitoral. Em termos práticos, foi uma escolha correta e a estatégia bem-sucedida. Agora, o comportamento da oposição foi equivocada desde o início. O modo como foi escolhida a chapa de oposição, o modo como a proposição do plano de governo (sic), a estratégia de campanha... tudo foi arcaico, amador e improvisado. 
Quem queria chegar à presidência deve agir com a dignidade e profissionalismo necessário. A direita não é ruim em sí e é fundamental que tenhamos uma direita arejada e decente para conduzir um debate que desenvolva soluções para nossos problemas. Me assombra até hoje ter visto Delfin Netto ao lado de Lula. Quem era a direita em 2010 para não ter Delfin ao seu lado? Arrisco que Roberto Campos teria estado ao lado de Lula desde 2009 apoiando suas decisões em relação à economia. 
Ainda hoje, a oposição ainda teima em suas teses hipócritas e inapropriadas. Nunca tiveram a bandeira do social, perderam para Lula a bandeira da estabilidade e crescimento economico e perderão, sem dúvida, a bandeira da gestão para Dilma. E perderão ainda os cargos e mandatos.
Restou à atual direita apenas o xenofobismo e o rancor melancólido da moral udenista. Quem sabe se, a oposição não escolhesse reformular sua estrutura partidária interna, seus mecanismos de ascensão partidária e apostasse na democracia interna como garantia para a conduzir a democracia nacional não seria, enfim, o gatilho para um novo patamar de discussão política.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…