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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Crianças e adolescentes precisam é de bons valores - limites são menos importantes



Regis Mesquita

Recebi a milionésima corrente via email. Esta dizia da importância de dizer NÃO para os filhos. E propunha uma corrente para incentivar os pais a colocarem limites sem sentirem vergonha.

Descreveram um caso de uma menina mimada que se deu mal na vida e disseram que os pais estão criando pequenos ditadores.

Eu até que concordo com algumas colocações. O problema é que centro do problema nem sequer é colocado: crianças com péssimos valores, terão péssimos hábitos e atitudes.

Dois fatos verídicos podem explicar o que quero dizer:

1) alguns anos atrás um pai entregou o filho para a polícia porque o mesmo havia assassinado uma mulher. Quando foram entrevistá-lo, o senhor disse: roubar tudo bem, matar não.

Observe os valores deste pai. Depois de aceitar e, talves, incentivar o roubo, ele quer colocar limites. Matar NÃO. Observe como os valores são infinitamente MAIS importante que os limites.

Os valores que damos aos nossos filhos são a verdadeira trilha que eles seguirão. Os limites servem para a sintonia fina deste caminho que apresentamos para eles.

2) uma senhora e seu marido me procuram em meu consultório. Estavam preocupados com o uso abusivo do filho dos jogos de vídeo-game. O rapaz passava horas jogando. Todos os dias jogava por mais de seis horas.

Os pais se perguntavam como lidar com o problema.

Algumas pessoas podem dizer: "simples, basta colocar limites e pronto. Os pais tem que ter autoridade".

O problema são os valores que estes pais passaram para este adolescente. Ele foi criado assistindo Tv durante horas. Foi criado com a idéia de que assistir Tv é melhor do que estar "na rua". Pais não liam e não incentivaram a leitura. Seus brinquedos, toalhas, pijamas, etc, eram de personagens de televisão. Suas festas de aniversário eram de personagens de Tv. A mãe seguia a moda das novelas, e dentro de casa se discutia assuntos de Tv, artistas, etc.

O rapaz foi criado com uma overdose de influência da mídia. Ele foi criado e treinado para valorizar e desejar o que a mídia apresenta para ele. Ele foi para estar passivamente em frente a uma tela de vídeo.

Em outras palavras: jogar vídeo-game por horas é apenas a lógica da sua vida e dos valores familiares.

Foi isto que ele aprendeu, foi isto que foi cultivado dentro de casa. Esta é a vida como este adolescente conhece.

É por isto que não basta colocar limites. Os pais devem ter muito claro quais os valores que estão incutindo na cabeça de seus filhos.

A maior parte dos adultos falam de limites, porque tem medo de olharem para elas mesmas e descobrirem o tipo de valores que tem cultivado no dia-a-dia.

Oriento os pais a deixarem seus filhos no máximo uma hora por dia em frente à tv. Existem muitas outras atividades serem para serem feitas.

Oriento também a fugirem ao máximo da moda e de "personagens" (lap top da Xuxa, chuteira do Kaká, etc). As crianças devem ser treinadas a NÃO seguirem o que é incentivado pelos meios de comunicação.

Uma criança que cresce tendo múltiplas opções de brincadeiras, tenderá a ser um adolescente que tem múltiplos interesses. Com múltiplos interesses, será bem mais difícil gastar tanto tempo em jogos eleltrônicos.

Nós somos o que nós cultivamos.


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