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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Artigo: Luciano Alvarenga


Brazilian way of lif e o PSDB

O Brasil é o país que mais influência cultural exerce sobre a comunidade de nações falantes da língua portuguesa. A pelo menos três décadas isso vem se desenrolando com força, o fato agora é que a influência nacional começa a extrapolar o universo da língua portuguesa e expande para outros grupos de nações.
O Brasil está na moda. Pela força cultural na música, no teatro, na dança e no folclore, pela religião ou sua multiplicidade e convívio pacífico, pela miscigenação étnica, pela diversidade de costumes regionais e sotaques, mas especialmente, pela capacidade de luta e resistência do povo e uma alegria que não se esvai. Sem falar na produção cultural televisiva exportada para todo o mundo.
Nesse momento primoroso para o Brasil quem se procura por um destino são os países desenvolvidos, em especial os Estados Unidos. Em crise não apenas economicamente, o fato é que este país vive uma crise civilizacional. É um tipo de sociedade que se esgota, um viver e uma sociabilidade exportada para todo o mundo ao longo do século XX e que agora mostra seus limites, sua incapacidade de responder aos desafios colocados à humanidade neste momento histórico. Um certo modo de vida americano, modelo de conquista e felicidade que foi, não é mais possível.
O Brasil não mostra força hoje pelas possibilidades econômicas que venha a evidenciar nas próximas décadas ou pela capacidade de reproduzir por aqui modelos esgotados pelo mundo desenvolvido. O que o mundo espera do Brasil e o melhor que o Brasil pode oferecer é um outro modelo de existir, de conviver, de se relacionar com a natureza, uma sociedade que seja calcada numa cultura da vida, do equilíbrio do homem consigo e com a Terra.
Elevar contingentes cada vez maiores de nossa população a condições de vida digna é um desafio e não pode ser abandonado. Mas oferecer a eles um tipo de vida baseado apenas no consumo e na conseqüente depredação da natureza é repetir por aqui o que já está falido em lugares outros. A questão em breve será mais do que equilíbrio social e econômico, será um tipo de sociabilidade que permita as pessoas um viver equilibrado e saudável emocional e culturalmente. Há um tipo de vida materialmente simples, rico culturalmente e que se desenvolveu ao longo dos séculos em nosso país e que precisa ser entendido e revalorizado.  Essa força social e econômica que se forjou na pobreza e permitiu que gerações sobrevivessem ao longo das décadas, precisa ser mais bem conhecida e entendida. Ela sem dúvida nenhuma possui a senha do que o futuro precisa para recuperar o ponto de equilíbrio com a natureza.
A partir daqui a questão é política.
A oposição perdeu as bandeiras da estabilidade econômica, assistiu a consolidação das bandeiras sociais pelo PT, não tem investido na bandeira educacional com a força necessária, que é fundamental para a construção de um pais novo, e não pode deixar de entender o papel do Brasil no mundo a partir de agora, ao custo de deixar de existir enquanto oposição. Existe um projeto em andamento que é a continuidade da estabilização social, a incorporação daqueles milhões de pessoas que desde a colônia se viram alijadas de fazerem parte do povo. A oposição precisa pensar além disso, sabedora que é de que corre o risco de assistir a Dilma ser reeleita (é uma possibilidade real), e ainda ver o Lula voltar. Isso significaria 24 anos fora do poder – projeto que já foi de FHC e Sérgio Motta. Assim como a bandeira da estabilidade econômica foi incorporada pelo PT quando este a atrelou ao resgate social que começou a produzir, no futuro o resgate social pode deixar de ser uma marca de uma certa esquerda quando atrelada a construção de um novo projeto societário baseado no homem, na natureza e no equilíbrio de ambos e, não apenas no econômico e financeiro.
O PSDB precisa entender que não cabe outro papel ao Brasil senão se pensar de forma protagonista. Este partido precisa encabeçar a discussão sobre o que é o mais moderno e o mais fundamental a fazer para tornar o Brasil uma referência societária neste mundo pós industrial em que estamos imersos. O cabedal cultural e de vivência social construído pelo povo nestes séculos de pobreza é uma referência fundamental para se pensar uma sociedade nova neste século de esgotamento energético e de biodiversidade. A questão em torno da qual devem girar as preocupações daquele partido e, da oposição, é como transformar a energia do povo, suas habilidades, suas características, sua força natural em alternativas para esta sociedade nova que o mundo anseia ante os graves problemas legados pelo desenvolvimento técnico e econômico.
O mundo olha atento às respostas oferecidas e construídas pelo Brasil, respostas estas que precisam ser ousadas e novas, que apontem para um futuro viável para ricos e pobres dentro de um diapasão de equilíbrio. Este é o papel do Brasil para o mundo e pode ser o cerne de um novo PSDB e de uma oposição renovada. Luciano Alvarenga, Sociólogo