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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Artigo: Luciano Alvarenga

O amor e seus problemas

Não há maneira mais imprópria de ser feliz do que buscar a felicidade. O mercado amoroso está saturado de pessoas em busca da sua alma gêmea, do seu grande amor. Almas gêmeas não existem e como disse em outro texto, acredito que as pessoas estão buscando exatamente o que não querem. À mesma medida que aumenta o número dos que não sabem que caminho trilhar quando o assunto é amor, aumenta na mesma proporção, senão mais, aqueles que seguem a atual receita de vida a dois do tempo de nossas avós.

Avós tinham manual e plano de vôo para a vida que levariam, nós não temos nem bússola, quanto mais manuais ou guias para nos direcionarmos. Dito isso, como então viver a dois, ou sozinho nestes tempos que seguem?

Esqueça tudo o que ouviu de suas tias e de sua mãe sobre relacionamento, nada serve a você. Para de ler revistas femininas que apenas colocam roupas novas em fórmulas carcomidas e que só terminam em tristeza e desilusão. A primeira coisa é: pense em você, pensar em você não é pensar num armário com roupas, nem em pernas mais torneadas, e se você que me lê é homem, esqueça a beleza da moça, pelo menos por enquanto.

A única pessoa em que você pode confiar é em você mesma. E se teu software mental não pode te ajudar, esqueça, você fará tudo o que sua mãe fez e, certamente terminará colocando um neto no colo dela enquanto você sai à procura de outra pessoa igualmente despreparada (software mental defasado) para estar com você. Software é o que Sócrates chamou de “conhece-te a ti mesmo”.

Quer saber como é uma pessoa, descubra quais são os seus problemas. Se você possui um computador já percebeu que ele não faz os problemas desaparecerem, apenas ajuda você a resolvê-los. Mas se você não sabe que tipo de problema irá resolver de nada adianta um computador em sua mesa. Com isso quero dizer que, a vida que você vai viver e o tipo de problema que terá dependem da qualidade do seu software mental. Traduzindo, saiba primeiro que tipo de problema você tem ou que problema terá, e escolha a maneira de resolvê-lo ou evitá-lo de acordo com o que você considera melhor – melhor depende do seu software, se você não tem não pode saber o que é melhor.

Cada escolha corresponde a uma gama de problemas, se você está sozinha pode ficar com todos, mas estará sempre sozinha. Se estiver com alguém, não ficará com todos, mas estará acompanhada. Se você mora junto com alguém, haverá sempre sopa quente, conversa no café da manhã e discussões intermináveis sobre quem faz o quê e quando. Se você mora em uma casa e seu parceiro em outra, não haverá discussões intermináveis sobre louça e roupa molhada na cama. Mas os cafés da manhã serão solitários e você viverá carregando roupa de uma casa para outra.

Os problemas não desaparecem quando fazemos escolhas, eles apenas mudam de cor e de figura, às vezes de intensidade. A questão é, que tipo de problema você prefere lidar. Saber as conseqüências das escolhas é antecipar o tipo de problema que terá que ser enfrentado. Isso significa que, se conhecer a si mesmo é uma forma de saber o que não quero viver, e que tipo de problema considero insuportável que me impediria de viver melhor e mais feliz.

Software mental é toda a bagagem reunida ao longo da vida, seja quantos anos for, e que me ajuda a decidir a partir daquilo que sei que não quero, não suporto, não desejo. Isso não quer dizer que viverei sem problemas, apenas que viverei os problemas que resultam das escolhas que me levam na direção do que sonho e me realiza. É muito mais fácil lidar com problemas que uma vez resolvidos me aproximam do que desejo e busco, do que resolver problema que não me levam a lugar algum desejável.

Vidas amorosas partidas, são em muitos casos, frutos da ignorância sobre o que realmente se deseja. Quando se vive o que não se quer, os problemas daí advindos são insuportáveis, mas quando trilhamos o que queremos os problemas são apenas problemas.

Por isso, não queira o que suas avós queriam, por que não há mais solução para os problemas que elas viviam.

Luciano Alvarenga, Sociólogo

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