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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sobre si mesmo

O bom e o prazeroso
Renato Dias Martino


É incansável a pesquisa na busca por modelos que possam representar as coisas da alma e assim encontrar lugar para essa dimensão do existir, em nossas vidas, seja em nosso mundo interno enquanto protótipo de algo que clama por realizar-se; seja no mundo externo nos oferecendo objetos dos quais nos levam a introjeção da própria realidade.Talvez um convite para que arranjemos tempo pra trocar informações sobre os conteúdos de nosso aparelho psíquico e criarmos recursos para relacionarmos com o próprio mundo real, nos responsabilizando pelo próprio mundo.

Penso que não podemos discutir com propriedade, qualquer outro assunto se antes não pudermos falar na responsabilização do ser humano por si mesmo e pelo mundo. Discutirmos assuntos como preservação da natureza, ética na política, violência nas ruas (seja da policia ou do crime), fica sempre mais produtivo (se é que de outra forma se produz) quando podemos sinceramente nos responsabilizar pelo menos por nós mesmos.Insisto nisso já que apesar de sermos animais pensantes e até nos diferenciando dos ‘outros’ animais por isso, a própria capacidade de pensar ainda é muito pouco eficiente (diria até embrionária) no humano atual, que na realidade age muito mais por seus impulsos que pela razão (haja vista as atrocidades que hoje já não tem mais hora pra passar na TV).

Sinto extrema dificuldade em falar e escrever sobre isso, sem experimentar uma estranha sensação de estar sendo ‘chato’, em tocar em algo desagradável e que a maioria das pessoas prefere não mexer, quem dirá olhar com cuidado. Podemos até confundirmos esse texto com um discurso intelectual, mas o assunto aqui tratado está muito mais próximo de questões emocionais do que qualquer intelectualidade.Seguindo esse caminho das pedras, penso que nos seria útil distinguir duas idéias que amiúde se confundem, até parecem sinônimos se não atentos estivermos. Porém, se pudermos manter certo vértice especial de pensamento, perceberá que os termos que proponho pensarmos, proporcionam um encontro antagônico.

O que quero propor, é que nesse ponto de vista, algo prazeroso não é necessariamente o mesmo que algo bom e vise versa. Na verdade, a psicanálise nos mostrou com muita propriedade, que a mente só pode se expandir na medida em que podemos abrir mão de certos prazeres, em nome do pensamento, até para que possamos perceber o que realmente é bom pra nós. Para mantermos esse ponto de vista teremos que lançar mão do símbolo, ou da capacidade de simbolizar, recurso que é criado na tentativa de preencher o vazio da realidade. Quando a pessoa amada real não está, o que sustenta a alma é um pensamento simbólico. Sem o recurso do símbolo, ou seja, a capacidade de simbolizar, o bom será sempre o prazeroso e não existe ai qualquer chance de diferenciação entre as duas idéias.

Então poderíamos cogitar a hipótese de que: “O aquilo que é bom caminha mais próximo da ausência do prazer; pois quando a satisfação do prazer se faz predominante, muito pouco se produz no pensamento simbólico, que é o que nos liberta do concreto (apreensível pelo sensorial ou órgãos dos sentidos), que nos faz real e nos permite reconhecermos a própria realidade (o que poderíamos chamar de bom ou saudável).”

Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Musico

Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com/

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