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Sobre a perda do poder de gozar


O funcionário da padosa aqui perto da minha casa foi assaltado duas vezes no mesmo local, shopping avenida por um grupo de rapazes da mesma faixa etária e perfil sócio-econômico.
Segundo o funcionário, garotos classe media, bem vestidos e fortes. Segundo pesquisas de âmbito nacional o número de crimes e violências praticadas por jovens da classe média alta vem aumentando nos últimos anos no Brasil.
Dos jovens ricos deixo para falar em outra oportunidade, vou me referir agora aos adolescentes classe média e seu envolvimento com o crime nas cidades brasileiras, e por extensão em Rio Preto.
Se as classes despossuídas e pobres do Brasil tiveram um incremento de renda nestes últimos anos possibilitando que tivessem acesso a novos e inéditos bem materiais e com isso conseguindo dar vazão a parte dos seus desejos e realizações, o mesmo não é possível dizer sobre a classe media brasileira e isso responde certamente por parte dos problemas dos jovens destas famílias e seu envolvimento com o crime e a violência.
As classes medias tiveram nestes últimos dez, vinte anos uma perda considerável de poder de compra e renda. A perda de renda e de poder de consumo redunda em perda de poder simbólico, o que significa isso?, que não sinto para mim nem para os outros que tenho a importância que possuía antes.
Perda de renda, de poder de compra e de importância simbólica redunda em doenças emocionais de vários tipos. E os jovens?
Os jovens passam a operar dentro deste quadro familiar deteriorado. Numa sociedade que sobrevaloriza a imagem, imagem que precisa ser reforçada pela aquisição de bens materiais a ela ligados e incapazes de obterem estes bens simbólicos dado o quadro de deterioração econômico vivido por suas famílias, os jovens se entregam a violência e a marginalidade urbana como forma de reagir a exclusão sua e de seus familiares do gozo dos bens materiais que apenas os mais possuídos podem ter.
Resumindo, numa sociedade em que poucos têm muito e muitos tem muito pouco, e onde a classe media conseguia até algum tempo ter sua parte que não era muito, mas também não era pouco, o que vemos hoje é que ela está é empobrecendo. A violência social dos jovens da classe média é uma reação inconsciente, claro, deste processo de exclusão que estão vivendo numa sociedade calcada em bens e símbolos materiais. Luciano Alvarenga

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