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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro

José Vicente Faria



Luciano,
Duas postagens nesses últimos dias, em seu site, tratam da situação do Rio de Janeiro. Ambas carregados de verdades... Uma delas é sua inclusive.
“EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO”  e  “RIO DE JANEIRO NOS CHAMA PARA SSER ADULTOS"
Me permita umas considerações .
Talvez devamos ter dó daquele pessoal, sim, como proclama a psicóloga Maria Belmira.
Sempre penso que a culpa do que está aí hoje  é dos políticos que comandaram a nação na quatro últimas décadas..
No final da década de 60 e depois pelas décadas seguintes, é que se começou a crescer as submoradias nas periferias das capitais e algumas outras cidades. Mas as mais contundentes foram Rio e São Paulo. Era uma população migrada da zona rural e de outros estados, todos pobres, que vinham em busca do eldorado mas que iam sendo desqualificados, marginalizados, desiludidos e, pela necessidade, se instalavam onde dava para sobreviver, muitas vezes da caridade o do lixo dos mais privilegiados.
Os políticos da época mais preocupados em defender o “seu” pouca importância deram a essa população que ia se dependurando nos morros ou se instalando em terrenos abandonados.  “Deixem eles lá, não estão nos incomodando”. Era uma época que pouco se falava em direitos e aí daquele que ousasse exigir ou reivindicar direitos. Os que estavam no poder mantinham a ordem auxiliados pelos órgãos de repressão, polícia, dedos duros e que tais...Ah! e tinha a imprensa também.
Não me lembro se naquela época alguém tenha se preocupado, analisado, falado sobre  o monstro em crescimento.
Aquele povo foi sobrevivendo e crescendo, matando um leão por dia ou até mesmo qualquer cachorro que aparecesse. Eles precisavam de alimentos, de bens essenciais e lutaram para isso, por muito tempo, conseguindo preservar precariamente a moral e os bons costumes trazidos de seus pais. As primeiras gerações conseguiram manter , apesar de uma vida pobre, miserável e marginalizada.
Mas a necessidade gera oportunidades. E os políticos dominantes não souberam prover isso. Quando muito, vislumbrando os votos, davam um jeito de colocar um posteamento de luz aqui, um encanamento d’água acolá (esgoto, nem pensar) e: “deixem eles lá que não estão incomodando” Daí um gato aqui, outro ali, um empreguinho ali, uma catação de lixo lá... e continuaram se virando, sobrevivendo e se enchendo de esperança pelo futuro ou "ficando de saco cheio de tudo”.
A população aumentando e as necessidades também. Muitos buscando consolo na bebida e na droga propagada na década de 60/70 por artistas e ídolos criados na época e uns jovens da classe média querendo imitar, parecer igual. “Esse é o barato!”
O campo era fértil e a bandidagem, até internacional, foi se infiltrando e arrebanhando jovens para comercialização de um produto que rendia muito e de venda fácil. Da necessidade e da falta de oportunidade, do descaso pelo governo, para o crime foi um passo. Para se organizarem em grupos e cada grupo tomar conta do seu pedaço, outro passo. Para inibir os moradores, subjugá-los, outro passo Para o crime descer dos morros e tomar conta da cidade outro passo. Para os criminosos eventualmente presos se imporem nas prisões e continuarem a dirigir seus domínios, outro passo.
Com tráfico de drogas, armas, corrupção de policiais, políticos e de homens de reputação ilibada, o terror tomou conta da cidade e aí sim “Estão incomodando, precisamos tomar providências”.
Mas como? Aí o bicho pega. Há quase dez anos governos, polícia, polícias especiais vêm batendo cabeça para tentar solucionar. Projetos maravilhosos, chacinas, negociação com bandidos, traficantes, incursões na área, ações pontuais, etc, foram permeando a década.
Não tomaram providências para prevenir ou resolver quando o problema ainda era pequeno, hoje têm-se que gastar milhões para “remediar” por que solução ainda está longe.  E vemos a situação que está instalada, enraizada.
E esses bandidos, com PHD em criminologia para onde vão? Essa é vida que sabem viver. Se não conseguem prendê-los com certeza vão buscar outras praças para seu comércio. Vão exportar Know hall pra outras cidades, pra outros estados, com certeza. Ou irão para favelas próximas até que numa idéia genial o governo coloque a polícia militar, forças armadas, infiltradas por jornalistas encomendados para enaltecer os heróis e  os políticos que tiveram a brilhante idéia após uma reunião a portas fechadas (???)  regada a cafezinho, com acompanhamento da imprensa, claro!
Será que querem resolver mesmo? Será que têm planos possíveis? Quase 40 toneladas de drogas achadas num espaço dominado é muita droga... E isso é de muita rotatividade. Imaginem o quanto circula na região? Numa região limitada. Calculem as outras favelas do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, etc? A população dessas regiões não merecem isso. Por onde passa tudo isso pra chegar até lá? E os caminhos da distribuição? E os aviõezinhos? E os consumidores?...
É isso! Estamos vendo apenas mais paliativos, com certeza...

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