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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PT não significou melhora na educação, diz técnico do MEC

A crítica a Fernando Haddad

Por Roberto Sobral
Sou servidor do Ministério da Educação e confesso estar cada dia mais decepcionado com a forma como a imprensa brasileira cobre as políticas públicas elaboradas e executadas pelo MEC. É tudo tão raso e acrítico que deixa-nos a impressão de que falta interesse nestas questões.
Reconheço a importância de muitas propostas do Ministro Haddad para a educação brasileira, algumas, como o Plano de Ações Articuladas, atendem demandas importantes, como a necessidade de uma relação justa e transparentes como todos os entes da federação.
Todavia, e este é o olhar de quem vê de dentro, a implementação dessas propostas é absurdamente amadora e tem um viés político, não técnico. O Ministro Haddad em nada mudou a capacidade administrativa do MEC. O órgão continua aparelhado, existe, internamente, uma aversão incrível a críticas das ações - servidores que denunciam irregularidades são perseguidos politicamente de uma forma cretina.
Como uma das pessoas que sempre sonhou com a chegada do PT ao governo, tenho de confessar que a Administração do MEC foi a minha maior decepção. É impossível acreditar no que vejo cotidianamente.
Qual é a fórmula do Haddad para ser considerado por muitos um ministro bem sucedido? A fórmula é: ele tem boas propostas, consegue lidar muito bem com o aparato publicitário que divulga as ações do MEC, injetou muito dinheiro em diversos setores (o que é algo muito positivo, mas não tem um fim em si mesmo) e conseguiu muitas alianças importantes com grupos fortes da educação, principalmente os do setor privado. O mais engraçado é que as pessoas o consideram um quadro "técnico"! Pelo contrário, sua atuação é quase que exclusivamente política. A maioria das ações do MEC não seriam aprovadas numa perspectiva técnica.
Vejam o que foi feito no nível médio (um dos maiores gargalos da educação brasileira).
Vejam como o Plano de Ações Articuladas é um mero simulacro e não serve de fato para os trabalhos técnicos do órgão.
Vejam como o MEC não teve competência técnica para discutir currículo.
Vejam como o PNE foi desrrespeitado. Existe uma nova proposta de PNE sendo elaborada em secreto e este governo será responsável pela façanha de criar um novo PNE sem discutir o que foi feito com o antigo.
A questão do PNE é até engraçada: existia 1 único técnico para atender todos os estados brasileiros e todos os municípios na elaboração de seus respectivos planos decenais. O MEC está sucateado.
Respeito a opinião de quem acha que estamos avançando na educação brasileira, mas, da minha parte, entendo que estes avanços se resumem a algumas ações de governo que foram bem acolhidas (PROUNI, etc). Reconheço-as e apoio a grande maioria dessas ações. Todavia, do ponto de vista estrutural, no plano das políticas de Estado, não avançamos quase nada.
Creio que não devemos relacionar o que foi feito sem nenhuma referência. Devemos contrastar isso com "o que poderia ser feito". Poderíamos ter avançado muito. Não falo de alcançarmos grandes utopias, falo de coisas materializáveis. Faltou visão estratégica, competência técnica, atenção à capacidade administrativa do Estado, análise de perfis dos que ocuparam cargos de dirigentes, priorização de problemas do sistema educacional brasileiro acima de joguinhos políticos menores.
Com os próximos 4 anos do Haddad no Governo Dilma, não alimento a menor esperança de que o cenário vai mudar. Agora, uma coisa é certa, o "IDEB" vai continuar a subir, pois sabemos muito bem para que serve e como é elaborada essa e outras iniciativas deste grande espetáculo...


Comentário
Arthemísia
Competência técnica é, de fato, uma lacuna grande no PT e um  verdadeiro abismo em suas administrações (sejam elas municipais, estaduais ou federal). Entretanto, como funcionária pública federal, fico na dúvida se a estrutura do  estado brasileiro não seria o fator responsável pelo sufocamento da competência em todas as administrações. O problema é que o PT também não conseguiu sair dessa armadilha; não conseguiu  e também não quis incorporar competência técnica ao estado, para conseguir mudar sua estrutura.  Aparelhar o estado com militantes só trouxe controle político, na maioria das áreas, com raras exceções. Penso que Patrus Ananias no MDS foi uma exceção.
Dizem quem Dilma é mais técnica. Vamos observar.

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