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Para que serve a familia?

O modelo familiar em desuso
Por Renato Dias Martino - Psicólogo
  

O sonho da constituição da família parece estar, cada dia, mais fora de moda. Digo sonho, me apoiando na “teoria do pensar”, de Wilfred Ruprecht Bion (1897-1979); psicanalista Indiano naturalizado inglês. Ele acredita em um modelo aonde, o pensamento vem antes do pensador. No exemplo da família, é importante que o pensamento de construí-la, esteja na mente do pensador que a realizará, antes da efetivação do projeto. Através do ensaio imaginativo ou da atividade lúdica, ensaia-se o pensamento e simula-se internamente aquilo que acontecerá. Isso proporciona uma situação onde, é preparado o espaço mental que acolherá toda a problemática emocional que acompanha a vida a dois, assim como a concepção de filhos.
Wilfred Ruprecht Bion (1897-1979)


A dificuldade narcisista de sonhar
com algo futuro, que inclua um “outro”, é cada vez mais freqüente e o sonho diminui na mesma proporção em que se criam novas embalagens de produtos destinados a pessoas que optaram por viver só.


“Brincar de casinha” é algo que tem mudado de forma significativa. O espaço para o desenvolvimento do papel de mãe na vida de uma garotinha, por exemplo, quando é admitido, está condenado a um segundo nível. O homem que há algum tempo evadira-se da família, deixou um rastro que, agora é seguido pela mulher. Assim, o que assistimos (menos como meros observadores e mais como participantes ativos) é a formação de famílias não pensadas. Famílias que se estruturam sobre um solo arenoso de tentativas de evitá-la.

Em nome de uma pseudo - independência, a dedicação à família é, comumente, encarada pelo jovem atual ou contemporâneo (muitas vezes orientados pelos pais), como uma falta de escolha, ou até mesmo como forma de comodismo. Uma ameaça ao crescimento seja ele em que dimensão, profissional, pessoal. Sonhando com a independência, o homem contemporâneo acorda sozinho. Não se liga ao outro por medo de sofrer, mas, sofre, pois não pode se ligar ao outro.

Eros e Tânatos
Nesse momento é muito interessante pensarmos na teoria das pulsões, onde Sigmund Freud (1856 – 1939), médico austríaco e fundador da Psicanálise, propõem a dualidade entre pulsão de vida e pulsão de morte . A primeira estaria caracterizada pelo elo, o vínculo e em ultima metáfora, o mito de Eros, o cupido. Como deus do amor, tem a função de unir. Já a segunda traria a noção da tendência a buscar um estado anterior, ou seja, a repetição, a divisão ou desintegração das . Essa ordem de pulsões é caracterizada pelo mito de Thantos, o deus grego da morte. Essas duas forças disputam naturalmente, lugar dentro de nosso funcionamento psíquico, entretanto o predomínio de uma sobre a outra é o que impede a realização do pensamento e assim, um funcionamento saudável da mente. Pensemos agora: quem são os filhos dessas famílias não pensadas?
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Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Músico

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