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O que querem as mulheres?

As divisões do feminismo

Por Elenara Iabel
No seio da Feminist Legal Theory, as várias correntes que se apresentam são geralmente agrupadas como:
a) feminismo liberal que defende a superação das desigualdades experimentadas pelas mulheres mediante igualdade de tratamento, relutando admitir medidas diferenciadas por nelas vislumbrar a presença de uma ideologia de superioridade masculina que se traduz, por exemplo, em atitudes paternalistas, reforçadoras dos papéis tradicionais que inferiorizam mulheres diante de homens.
Trata-se de uma postura tipicamente antidiferenciadora entre os sexos, tanto que algumas feministas liberais são chamadas de "feministas simétricas", numa referência ao modo de aplicação da igualdade entre homens e mulheres. Daí a crítica a suas posturas, comumente tachadas de "assimilacionistas", por implicar a aceitação do modelo masculino como norma universal em face da qual a igualdade de tratamento será verificada e à qual as mulheres devem se conformar.
b) feminismo culturalista, também conhecido como relacional, tem como ponto de partida a postulação da existência de diferenças fundamentais entre homens e mulheres,  os quais apresentam diferentes processos de desenvolvimento moral.
Enquanto os homens, ao depararem-se com conflitos morais, frequentemente organizam-se por meio de idéias de justiça e formulam raciocínios lógicos baseados em direitos individuais abstratos, as mulheres são mais inclinadas a uma ética de cuidado, preocupada na preservação das relações e preferindo soluções contextuais e particularizadas.
Segundo as feministas relacionais, a voz diferente resultante deste processo diferenciado de desenvolvimento moral possibilitaria às mulheres maior capacidade de solução dos problemas, dada a ênfase em valores como cuidado com o outro, abertura, simpatia, paciência e amor.
A denominação culturalista deve-se ao fato de visualizar a libertação feminina através da afirmação de uma contra-cultura centrada na realidade das mulheres. A afirmação dessa contra-cultura faria a realidade feminina inassimilável à norma geral de igualdade de tratamento, daí enfantizando que o tratamento como igual destas duas realidades diversas só é possível através de medidas diferenciadas. Neste sentido, as feministas culturalistas divergem da argumentação geralmente aceita pelas feministas liberais.
c) O feminismo radical sustenta que a desigualdade sexual é resultado da sistemática subordinação social das mulheres, não simplesmente uma aplicação irracional e preconceituosa do princípio da igualdade. Denuncia a masculinidade como pano de fundo onde são forjadas as idéias de "neutralidade por motivo de gênero" ou "proteção jurídica especial a mulheres" - temas centrais, respectivamente, para feministas liberais e as feministas culturalistas.
Em lugar das categorias igualdadeXdiferença, tensão sempre subjacente nos argumentos liberais ou culturalistas, as feministas radicais sugerem a abordagem da dominação, pois não aceitam de modo acritico a realidade da supremacia masculina entre os sexos que aceita o satus quo como standart.
d) o feminismo pós-moderno é entendido como crítica radical às formulações essenscialistas e universalistas presentes nas demais correntes feministas. O feminismo pós-moderno enfatiza a inexistência de uma experiência feminina monolítica, salientando a diversidade racial, econômica, religiosa, étnica e cultural de cada mulher.
A principal preocupação é a construção de respostas à discriminação sexual a partir da desvantagem estrutural experimentada pelas mulheres nas mais diversas posições, sugere uma abordagem diversa do ideal de "igualdade simétrica" das feministas liberais, da "desigualdade-essencial" das feministas culturalistas ou da "subordinação universal" das feministas radicais.
Depois de tudo que acompanhei pelo twitter, do que acompanho pela vida, no cotidiano, fico pensando que são sinais de que há ainda muito por dizer, fazer, pois muito pouco do que as mulheres pretendem foi alcançado, no que diz respeito às mentalidades e representações. 
O feminismo ainda faz sentido, os espaços de liberdade não estão assegurados e nem ao menos sabemos como analisar esse fenômeno cíclico a que chamamos feminino, que vai e vem, que nos deu o voto e o direito à educação; a algumas deu o direito ao seu corpo, a outras a um pouco de dignidade ou à consciência de ser. E a todas talvez a unica satisfação de reconhecer-nos numa experiência ao mesmo tempo diferente e comum de viver no feminino.
A sociedade patriarcal agoniza mas não morre.
buenos dias chicas y chicos.lelex**lelex é elenara vitoria cariboni iabel é uma cidadã comum, feminista, produtora cultural, comunicóloga social, fundadora da Themis - assessoria juridica e estudos de genero, http://www.themis.org.br/index.php?info=3 colaboradora do des).(centro - nó emergente de ações colaborativas http://pub.descentro.org, fundadora da G2G http://www.interfaceg2g.org/; mãe do Cauã(21), da Inaê(15) e do Ariel(12) e conhecida pela quantidade de pessoas amigas que ama.
Colabora no desenvolvimento da rede MetaReciclagem http://rede.metareciclagem.org/ encontros de Submidialogias http://submidialogia.descentro.org/ e com a Ciranda Internacional da Informação Independente http://www.ciranda.net/; é membro afetiva do conselho fiscal da Compas - Associação Internacional de Informação Compartilhada; presta consultoria em cultura digital para CEA - Centro de Educação Ambiental/Vila Pinto-POA apoia e promove programas de cultura digital/pontos de cultura do Minc-governo federal. Não gosta do sistema operacional windows, de violência e de machismo.

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