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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Artigo: Luciano Alvarenga

O Rio de Janeiro nos chama a sermos adultos
Por Luciano Alvarenga

O Rio de Janeiro nos uniu. A des-graça, o tráfico de drogas, vidas ceifadas, garotos sem futuro, a precariedade permanente, tudo isso deu lugar nestas semanas a um sentimento de esperança que há algum tempo não se via correr o país com tanta força. De repente, estamos todos torcendo para que a cidade carioca vença sua eterna luta contra o crime organizado.
O Brasil não é mais o mesmo, isso todos percebemos de alguma maneira. Nesse sentido, as operações da polícia e do exército nos morros cariocas, produzindo um cenário de guerra entre uma cidade que se quer de volta e a escória que lhe tomou grande parte do território, nos devolvem a certeza e a esperança de que é possível, sim, vencer a luta contra o atraso, contra a barbárie representada pelo crime.
Todos estamos torcendo pelo Rio porque a vitória do Rio de Janeiro significa a esperança de vitória em todo o país. Porque também aqui temos os nossos pequenos rios de janeiros que precisam ser vencidos. Pequenas tragédias com fome de virarem grandes. Marginais, drogas e desestruturas de todo tipo que temos que combater para que não se transformem em uma doença sem cura. Mas as operações no Rio são uma façanha e uma construção pensada, calculada, projetada visando um resultado que vai além da expulsão dos bandidos de seus buracos, visa a construção de uma outra cidade mais aberta, mais democrática, mais justa, mais equilibrada. A voz que se ergue por trás destas operações no Rio de Janeiro é: não é possível mais aceitar uma cidade cindida, dividida e tão desigual como a que temos.
O chamamento que recebemos do Rio é pela construção de um país novo, mais justo e mais equilibrado. E a vitória lá é a possibilidade de vitória em todos os cantos do Brasil. Entretanto, as vitórias não se constroem ao acaso, nem são frutos de inspiração. Resultam sim de planejamento e maturidade. O Rio nos chama à maturidade. Ser adulto é planejar, é ver além das vontades e dos desejos passageiros. Ser adulto é visualizar um futuro e trabalhar para que ele aconteça. É aqui que se apresenta e se compreende o sucesso do filme Tropa de Elite, mais ainda o 2. O grande sucesso do personagem Capitão Nascimento é exatamente o de ser adulto e de assumir suas responsabilidades acima de qualquer interesse ou veleidades pessoais, colhendo a partir disso suas vitórias e reconhecimento.
Vereadores ineptos e fracos, prefeitos sem compromisso, lideranças vazias e que nada lideram, professores apáticos, o que é tudo isso senão pessoas que desistiram de ser adultos. A empolgação que sentimos ao ver o Capitão Nascimento em ação no filme Tropa de Elite, tanto no 1 como no 2, é exatamente pelo fato de vermos um adulto assumindo suas responsabilidades e deveres diante de sua comunidade e na sua profissão. Estamos carentes de adultos. De adultos que assumam seu lugar na sociedade e na construção de um país melhor, de uma cidade melhor, de uma família melhor.
O Rio que nasce neste momento histórico é apontamento de uma nova geração de pessoas que sentem que é fundamental amadurecermos para este novo país que vai emergindo. Precisamos ser professores que inspirem, mais dedicados e presentes como pais, mais coletivos e desinteressados como políticos, mais preparados e maduros como lideranças, só assim e apenas assim poderemos colher uma sociedade melhor. Ninguém fará isso por nós. Como disse alguém, seja em você aquilo que você quer que a sociedade seja.
O Rio de Janeiro hoje é símbolo de um país que está saindo da adolescência. Que vai assumindo que precisa ficar adulto. Não há lugar nem soluções individuais, a solução é sempre coletiva. Como ficou claro, os condomínios e carros blindados não salvaram a sociedade carioca da criminalidade, dos assaltos, dos sequestros relâmpagos, das mortes, das balas perdidas, dos filhos entupidos de drogas. Fugir é coisa de adolescente, enfrentar é coisa de adulto. Esse é o recado e este é o sentimento que concluímos de tudo o que ocorreu no Rio nestas semanas.
A sociedade da felicidade e do consumo dá lugar e sociedade da responsabilidade e da construção de um lugar para sermos felizes.
Luciano Alvarenga

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