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Violência no Rio de Janeiro


A onda de ataques criminosos impetrados por traficantes no Rio de Janeiro nestas semanas é a ponta de um problema muito mais grave e que atinge as grandes cidades brasileiras e agora também as médias.
É evidente que o estado a que chegou a capital carioca resulta de décadas de descaso dos poderes públicos, quando não o próprio estado se transforma em bandido como vimos no filme tropa de elite 2.
Quando corrupção policial, comércio de drogas e políticos bandidos se juntam o cenário que se cria é este que estamos vendo no Rio de Janeiro. Estamos acostumados a dar soluções individuais para problemas coletivos, a escola é ruim, coloque-se os filhos em escolas particulares, o bairro é violento, moremos em condomínios, o transporte coletivo é péssimo, andemos de carro, o carro é inseguro, vamos blindá-lo. A saúde pública é uma tragédia, paguemos planos de saúde. E assim vamos resolvendo privadamente problemas sociais e públicos. O resultado é o Rio de janeiro.
Mas pequenos rios de janeiros vão se criando por todo canto e pelo pais todo. Mesmo aqui em nossa cidade, já assistimos a conta gotas problemas com traficantes, políticos descomprometidos violência e delinquencia juvenil típicos de cidades grandes.
Como nasce, cresce e se desenvolve um problema como o do Rio de janeiro. É assim, primeiro pessoas morando apinhocadas em lugares insalubres, sem saneamento básico e sem nada, como ratos de esgoto. Segundo, um sistema escolar bem ruim para que nenhum jovem acredite na escola nem na educação e que só lhe reste a criminalidade e a igreja para ele ir.
Depois um sistema de saúde pública que deixe bem claro que saúde boa é paga, e quem não pagar que morra ou viva como puder. E por último um sistema prisional que transforme gente em monstro. Sem educação, sem moradia digna em lugar decente, sem saúde, sem condições sociais que possibilitem o crescimento social e profissional e com as prisões que temos o que vamos colher é o que estamos assistindo no Rio.
Acreditou-se no Brasil que seria possível construir o pais apenas com o mercado, sem estado, sem educação pública, sem saúde pública, sem nada. O Rio de janeiro de hoje resulta dos últimos 30 anos, e os próximos 30 anos depende do que faremos a partir de agora.
Aquelas pessoas que estão matando e morrendo nos morros cariocas não possuem mais solução, mas qual é a solução que a sociedade vai oferecer para quem está começando agora?
Aqui em rio preto o pessoal da política ficou triste com os últimos números do IBGE que anotou que a população é menor do que eles desejam, por que o sonho dos políticos pé na roça de rio preto é que a cidade venha a ter 1 milhão de habitantes. Ora, seria uma tragédia, com 400 mil não conseguimos ver uma política pública que pense a cidade em todos os seus aspectos, imagine com 1 milhão.
Sem educação de qualidade, saúde pública de qualidade, segurança publica decente, e projetos esportivos, culturais e de lazer dignos do nome, o que estaremos fazendo é apenas cozinhando a tragédia da violência urbana que viveremos no futuro não muito longínquo.
O Rio de Janeiro é didático do que vai acontecer, mas se quisermos seguir o caminho, sabemos o resultado. Luciano Alvarenga

Comentários

Lucíamil disse…
muy bueno, Luciano. Con tu claridad de siempre. Aquí en uruguay esta comenzando y los políticos burros esconden la cabeza como el avestruz, niegan, y otros piensan en soluciones ridículas.
Por aqui é a mesma coisa, o problema é que agora os problemas ficaaram grandes demais para não ver. O caso do Rio é emblemático. Lucíamil, é mais ou menos isso. Fico pensando sobre o fato de que nas cidades do interior a mesma tragédia urbana vem se desenvolvendo. Luciano

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