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Violência contra a mulher e crise de identidade

Um aluno meu me pediu para que divulgasse em meu blog uma matéria de violência contra homossexuais que teria acontecido numa festa em que ele estava aqui em Rio Preto. A matéria a que ele se referia saiu no diário da região.
A violência contra mulheres e gays vem crescendo em todo o Brasil nos últimos anos. Parecia que tais barbaridades estavam declinando e de repente elas retornam com força.
Mas o que está por detrás desta violência. Primeiro em relação a mulher. O homem que violenta é um homem acima de tudo inseguro, inseguro em relação a sua identidade, em relação a sua sexualidade e inseguro em relação a seu lugar na sociedade. A mulher é a parte fraca, fisicamente ressalte-se, no mundo em que ele se relaciona.
O homem que violenta a mulher é um homem que vê seu mundo se desmanchando e ele se desmanchando junto. Ganha menos que a mulher, não sabe nem consegue se moldar aos novos padrões de comportamento e idéias que o mundo vive, do ponto de vista econômico está tendo cada vez menos valor como mão de obra em comparação com a mulher, e sexualmente não acredita na sua própria performance. Isso em função da hegemonia de um discurso de mídia, especialmente revista, que define o que é certo e bom sexualmente, e que este homem não se enquadra e passa a ser ver como menor, menos e que certamente não está satisfazendo sua mulher.
Além disso vive um mundo em que o heterossexual deixa de ser uma referência cultural e de valores ao mesmo tempo em que assistimos a emergência de uma cultura urbana liberal, sem compromisso e descolada dos valores que formaram o homem heterossexual do passado. Em resumo, o homem vive ao mesmo tempo agora uma desvalorização como mão de obra, um deslocamento como referência de gênero, passa a ganhar cada vez menos que a mulher, não é visto como um desejo, mas como alguém sempre ultrapassado, obsoleto em relação às modas e novos costumes urbanos, enfim, é um sujeito em crise.
Isso tudo pode desaguar em violência física contra a mulher, e pelo que parece é o que está acontecendo. Contra um mundo que ele não entende nem consegue integrar, responde com violência. É claro que não é a totalidade dos homens que se entregam a esse tipo de comportamento. Outros homens vivendo a mesma crise respondem de outras formas, ou voltando a morar com os pais, ou se negando a novos relacionamentos, vivendo uma solteirice permanente, ou partindo para um relacionamento homossexual; ou seja, cada parte do universo masculino responde a essa crise de uma maneira, a violência é a pior delas.
Uma coisa é importante dizer, a sociedade precisa entender melhor este fenômeno. A violência contra a mulher esconde toda uma transformação social que uma parte da sociedade, especialmente os homens e com certeza muitas mulheres estão tendo muita dificuldade de entender e viver. Luciano Alvarenga

Comentários

jéssica disse…
Olá Luciano, venho aqui também manifestar minha indignação e fazer um convite.
Em uma festa costumeiramente feita, que reune todas as UNESPs...que este ano foi em Araraquara.Ocorreu uma situação, que a mim me pareceu inóspita e peculiar, ledo engano.
Procurei na internet e vi que o ocorrido era muito comum no meio universitário.
Me refiro ao Rodeio das Gordas, uma manifestação preconceituosa desse pequenos burgeuses universitários contra meninas que eles consideravam obesas.
Essa espécie de jogo acontece da seguinte forma: o grupo de meninos decide quem irá ser o alvo, de preferência a menina mais gorda da festa, como eles mesmo denominam em comunidades de orkut feitas para divulgar o jogo.
Depois, eles chegam até essas meninas, " chavecando", para que elas caiam na deles, como em um filme estadunidense que passa aqui no Brasil na sessão da tarde.
Depois que conquistara,esses meninos tem a missão, determinada pelo grupo, entre elas, estaria a de abraçar bem forte a menina e dizer:
Você é a menina mais gorda que ja vi, logo em seguida, derrubá-la e pular emcima, concomitante a isos, a turma toda vem e pula eemcima do menino, que por sua vez esta emcima da menina...
A esse jogo, se dá a denominação de Rodeio das Gordas.
Frente a essa atitude, que não é isolada, diga-se de passagem, estamos fazendo um manifesto de repúdio, segunda feira, as oito horas da manhã, saindo aqui da UNESP de Rio Preto, e percorrendo uma parte da cidade...
Gostaria de convidar todos que leem Cama de Prego e você também Luciano...
Obrigada
Jéssica Oliveira

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