Redes Sociais conectam ideias e visões de mundo

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Trânsito: físico e mental


Um navegante sugeriu discutir as motos no transito de Rio Preto.
Em primeiro lugar precisamos entender no que se transformou ou vem se transformando a circulação em automotores aqui na cidade.
Rio Preto está com quase um carro para cada dois habitantes, ou seja, metade da cidade anda de carro. Rio Preto não são os Estados unidos onde na maior e nas mais importantes cidades do pais, as ruas são larguíssimas com as vezes 4 ou cinco faixa para circulação de carros, e mesmo assim já não dão conta lá também.
 As ruas por aqui foram projetadas numa época em que se imaginava que nunca o populacho andaria de carro. Como apenas a classe media alta possuía automóvel, as ruas com duas faixas no máximo dava conta. O carro era sinal de status e não de transporte. Nesse sentido não se imaginava ruas mais largas do que as que temos. Em nenhuma cidade média dos estados unidos iremos encontrar uma rua central tão estreita como a Rua Bernardino de Campos aqui em Rio Preto.
O que estamos vendo hoje, não há espaço, e todos os dias chegam novos caminhões cegonha na cidade despejando a doença das cidades.
Se não há espaço, precisamos encontrá-lo de alguma maneira, nesse sentido circular pela cidade significa jogar um jogo que é encontrar espaço a cada metro que se anda nas ruas. O que ocorre agora é que o populacho também está comprando carro, e aquela parte do povo que não consegue carro, compra moto.
O espaço continua o mesmo, mas os carros e as motos aumentam toda semana. Agrava-se com o fato de que muitas pessoas compram caminhões que no Brasil chamam de camionetes, tornando ainda pior a situação. Na Antonio de Godoy, uma entre muitos casos, uma camionete não anda ao lado de outro carro por que não há espaço.
Ou seja, o que são duas faixas, viram uma só.
Tendo em vista isso, qual o grande problema. Ocupação de espaço. Se os que possuem dinheiro compram camionetes para mostrar seu poder de compra, os que não possuem compram motos. Camionetes são como gordura no sangue, só atravanca a passagem, tornam lento o transito, as motos são como vírus que circulam rapidamente independentemente das gorduras. Se a idéia é ocupar espaço e circular com a maior rapidez possível, as motos estão na frente.
Neste tipo de coisa não há ética nem respeito nem com outro, nem consigo mesmo nem com a cidade. A cidade virou campo de guerra em que veículos são armas. Não apenas os motoqueiros não possuem consciência, os motoristas também não, estacionam nas calçadas, em vagas proibidas, circulam pelo meio da faixa atravancando a passagem de outros carros. É o inferno.
Aliás, estacionar em vagas preferenciais é senão ocupar espaço numa cidade que não possui mais nenhum.
Neste sentido o projeto do vereador Maurim de acabar com os acostamentos nas avenidas para aumentar mais faixas para carros é uma saída momentânea. Não resolve, é a mesma idéia limitada do estacionamento no centro debaixo da praça do Jose Marcondes. O que a cidade precisa entender e os vereadores deveriam ser os primeiros a ter consciência disso é que Rio Preto precisa urgentemente pensar em transporte coletivo. Alguma coisa na linha de Curitiba.
Os vereadores deveriam sugerir criar não faixa para carro, mas ciclovia, faixas para ônibus e veiculo de circulação sobre trilho. Retirar os acostamentos das avenidas, nas principais pelo menos, vai matar a vida urbana destes lugares. Qualquer comércio, espaço público que houver vai morrer.
A má educação dos motoqueiros e dos motoristas neste sentido é uma resposta a uma cidade em que suas lideranças se recusam a pensar a cidade para além do imediato. Todo mundo quer se dar bem pensando no agora, o vereador quer dar uma resposta que solucione agora para ele ganhar notoriedade agora, o cara que compra camionete quer ter status agora, o cara da moto quer andar rápido agora e a cidade vai ficando para depois, e depois será horrível.
A única saída para o transito é o transporte coletivo e o incentivo a andar de bike. Qualquer outra saída é conversa fiada para colher aplausos. Luciano Alvarenga

Nenhum comentário: