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Sobre o que muda enqunanto mudamos

Hoje é uma daqueles dias que levantei com a consciência a falar muito alto.
Estava a pensar porque eu não gosto de viver no Brasil e porque ainda assim tenho tanta saudade do meu país.
Lembrei-me de uma frase célebre de um grandessíssimo amigo dos tempos de faculdade.
Ele disse-me que tinha tornado-se um cristão fervoroso porque acabou por ceder ao convite de um primo protestante para acompanhá-lo a um grupo de jovens em sua igreja. Gostou tanto que pensou consigo: em vez de mudar de religião, mudarei a minha atitude perante a minha religião.
Por que contar isso?
Por que eu gosto no Brasil, para além da minha família cujos sobrinhos sou apaixonada, das praias de norte a sul do país para passeios, banho de mar e mergulho, das matas com os seus animais silvestres ao nosso alcance, das rochas onde posso praticar escalada desportiva, das cachoeiras para banhos frios em pleno verão, das serras onde é possível fazer longas caminhadas e acampar ao ar livre com segurança.
O que não gosto no Brasil: a falta de educação do povo, por culpa de um governo ou apenas por comodismo, que leva à falta de civismo e à falha de carácter. Não posso atravessar uma rua sobre a faixa destinada a pedestres por correr o risco de ser atropelada. Ou seja, falta de respeito pelo outro, seja no trânsito, no supermercado, nos transportes públicos ou em atitudes com o colega de trabalho.
Também aprendi, que se encontramos um monte de Estrelas do Mar a agonizarem numa praia qualquer, se conseguirmos devolver alguma ou algumas ao mar, para essas, faremos a diferença.
E é nesse sentido que gostaria de mobilizar aos amigos e amigos de amigos para alguns itens de mudança.
  • A criança deve tratar o adulto com respeito, seja ele conhecido ou não. Isso se ensina em casa. E respeito se usa o tempo todo e em todos os ambientes: igreja, escola, supermercado, praça, museus, em visitas.
  • As faixas pintadas no chão das rodovias e ruas são símbolos codificados. Cabe a nós conhecermos e respeitá-los para salvaguardar o direito à liberdade de ir e vir de todos os cidadãos. E se as crianças aprendem ao observar, quando crescerem já estarão acostumadas a respeitar também as regras de trânsito.
  • Educação é um direito e acima de tudo um dever de cada cidadão. Quem tem a oportunidade deve aproveitá-la e quem não tem deve buscá-la. Outro exemplo que a criança segue sem ter que ser obrigada.
  • Noções BÁSICAS de primeiros socorros pode salvar a sua pela ou até mesmo a sua vida.
  • Separar o lixo é fácil. Reciclar já é outra coisa e não nos diz respeito directamente. Mas a separação já é um óptimo começo e uma grande ajuda para salvar o nosso planeta da intoxicação. Além de resgatar e manter um planeta onde possa ser habitado pelos nossos filhos e netos.
  • Relaxar faz bem à sua saúde e à saúde de quem convive consigo. As crianças são mestres nisso.
  • Não se estresse ao tentar mudar as regras ao seu redor. Jesus também não conseguiu de imediato, nem Gandhi ou Sidarta. Mas até hoje são lembrados por tentarem.  
  • E uma coisa não menos importante: ao sentir raiva, lembrar que é o mesmo que beber veneno e esperar que o outro morra! E nessa arte a criança também tem doutorado. E é a nossa vez de aprender com elas.
  • Levar uma sacola não descartável quando se faz a feira ou o supermercado também ajuda a manter a saúde e o bem-estar da natureza evitando desgaste de matéria-prima e acúmulo de descartáveis não biodegradáveis.
Acho que era isso que eu queria transmitir. E se cada um de dos meus amigos conseguir transmitir isso com o mesmo sucesso que eu pretendo transmitir, conseguiremos um país mais adequado. Ao menos para atravessarmos a rua e quem sabe até sem lixo jogado no chão.

--
Enfermeira Aneci Valéria

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