Pular para o conteúdo principal

Sobre Líquidos e Sólidos


Tudo que é sólido se desmancha no ar. Com esta frase dita no século XIX pelo economista e filósofo Karl Marx e repetida inúmeras vezes ao longo do século XX, e a idéia que podemos abstrair é a de que nem tudo é o que parece.
Ou dito em outros termos, tudo muda, tudo se desmancha e o que é uma verdade hoje, pode não ser amanhã, o que seguro agora pode ser inseguro amanhã, o que é conhecimento hoje e uma boa idéia, pode não ser daqui a pouco. A filosofia contida nesta frase é a de que os tempos modernos são inseguros, liquefeitos e a incerteza predomina.
Disso sabemos todos, quem que não imaginava seguro em seu emprego e o perdeu. Quem que não amava e vivia uma relação estável não se viu largado. Quem não imaginava as melhores coisas de determinada pessoa e foi surpreendido por algo que mudou completamente seu conceito sobre ela. Pois é, todos já vivemos algo assim em nossas vidas.
O mundo não é maniqueísta, ou seja, não esta dividido em pessoas boas de uma lado e más do outro. Nem todo mundo vermelho é bom nem todos azuis são do mau. Ou vice versa.
A verdade é que temos que nos guiar pelas condiutas, como diz uma frase muito bonita, as palavras emocionam, mas os exemplos arrastam. Antes de definirmos que é bom ou ruim devemos observar seus atos, sua conduta, seus exemplos.
Além do mais estamos todos expostos ao erro. Errar é humano, diz sabedoria popular. No entanto a insistência no erro aponta um traço de caráter. Antigamente era muito mais fácil saber que não prestava, o mundo era mais simples, hoje é mais complexo e as coisas não são assim tão cristalinas.
Precisamos nos nortear pelo que é certo justo e correto, ainda que muitas vezes seja difícil e doloroso. Um dos problemas que as pessoas enfrentam hoje é justamente o de não saberem o que é certo, ético, e por isso sofrem e pagam muitas vezes preços altos por seus erros.
A boa conduta é um ótimo guia a quem deseja seguir uma vida honesta, digna. Precisamos saber também que valores são as únicas coisas que duram enquanto as outras todas passam. Se guiar pelo efêmero, pelo passageiro e construir a vida sobre isso é construir como diz o texto religioso, sobre a areia. Construir sobre a rocha, sobre o seguro, sobre o durável é guiar-se pelo correto, pelo ético e pelo justo.
Como diz uma outra frase, é possível eu ser justo comigo e injusto com o outro. Luciano Alvarenga

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…