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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Saresp


Uma navegante entrou em contato comigo, a Maria, me pedindo para que comentasse o SARESP que é na verdade um sistema de avaliação realizado pelo governo estadual das escolas públicas estaduais do ensino fundamental e médio.
A Maria que é mãe e possui filhos na escola me relatou o seguinte. Pais e alunos precisam responder a um questionário, como parte do sistema de avaliação que também envolve provas de vários tipos. Segundo as regras os alunos devem responder o questionário na escola, o que a ouvinte considera errado tendo em vista que o aluno não tem autonomia, especialmente alunos do ensino fundamental que podem acabar por responder os questionários pressionados pelos professores que também são pressionados pelos diretores a obterem bons resultados.
Ou seja, os professores pressionariam os alunos a responderem de acordo com o que resultado que ser quer obter e não a partir daquilo que o aluno realmente pensa sobre a escola e o ensino. Nesse sentido, a ouvinte considera que os alunos deveriam levar o questionário para casa e preenchê-los juntos com os pais, podendo assim falar abertamente sobre a escola sem serem pressionados.
Maria acrescenta um outro problema que é o medo que os pais de alunos possuem de responder os questionários que são enviados para eles mesmos responderem. Me disse a Maria “como posso ter certeza de que aquilo que eu escrever sobre a escola e a educação não será usado contra meu filho depois”.
A desconfiança da ouvinte faz todo o sentido, tendo em vista que os questionários respondidos pelos pais são entregues na escola pelo filhos.
Existem muitas críticas ao sistema de avaliação escolar do Governo estadual, estas são algumas. A verdade é o seguinte.
Avaliar é fundamental, não há dúvida, mas como estamos vendo a própria avaliação está com problema e não são poucos. O mais importante é que o ensino público é uma tragédia. A 30 anos que nada é feito de fato e que transforme a escola pública estadual. Já temos pelo menos uma geração de alunos mal formados, professores mal pagos e trabalhando em péssimas condições, e agora estamos vendo alunos que já são pais e sem formação para avaliarem a escola dos filhos.
A Maria é um entre alguns casos de mães que conseguem avaliar a escola dos filhos, mas não é maioria. Pesquisa feita no estado de São Paulo mostra que a maioria dos pais acredita que a escola é boa, mas não é. Isso é uma evidência de que os pais que também estudaram em escolas ruins estão sem instrumentos para averiguarem a qualidade da escola dos filhos.
É uma bola de neve em que o ruim está gerando mais ruins e tornando tudo ainda pior.
A escola, e a educação de uma maneira geral, não é uma prioridade nem do estado nem da sociedade. A escola tem problema de gestão de recursos, que alias são poucos deveriam ser muito mais, tem problemas de motivação dos professores, tem problemas de instrumentos, a quase totalidade das escolas não possuem laboratórios de química nem de informática, e quando tem está trancado por falta de professores que usem e saibam usar. Tem problemas de toda ordem e certamente precisaria de uma pacto da sociedade em todos os seus setores, empresas, comercio, igrejas, policia, políticos e estado para que fosse resolvido. Enquanto este pacto não for construído nada será feito e nenhum resultado disso saira.
Enquanto isso veremos a sociedade civil com medo de preencher um questionário por que sabe que pode ter um filho perseguido na escola. Isso é uma tragédia.
Agora é incontornável dizer que tudo isso é responsabilidade do PSDB que está entrando no próximo ano no quinto mandato a frente do governo do estado. Se a educação é o que é tem nome e sobrenome. Termino dizendo que a educação ainda não é prioridade de Estado. Esperamos que seja. O Alckimim assumi o governo no próximo ano. Esperamos que mude a linha que o PSDB paulista vem imprimindo ao tema nos últimos 16 anos. Luciano Alvarenga

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