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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pós eleição


A renovação do PSDB

A segunda derrota do Serra à presidência da República, sendo a primeira para o Lula em 2002 e agora para a Dilma, coloca a questão fundamental para o PSDB que é a da renovação política, programática e de quadros. Se em São Paulo o PSDB continua sua hegemonia que completará 20 anos em 2014, ainda que Alckmin tenha sido eleito com uma margem pequena no primeiro turno, 50,63%, é importante ressaltar que no plano nacional as coisas não vão bem.
É nesse ínterim que a re-eleição de Bruno Covas, com mais de 240 mil votos, o mais bem votado deputado estadual de São Paulo, chama a atenção para o movimento de renovação necessária nas hostes tucanas. Neto de Mário Covas, segundo alguns o maior tucano que o tucanato produziu, Bruno caminha lentamente, mas firme, como herdeiro de um legado político que o próximo governador de São Paulo havia recebido e que, agora, parece se voltar para a família Covas.
Não é estranha a votação de Bruno, nem chama a atenção. Quem vem acompanhando política mais proximamente percebe a fome de ética, de moralidade com a coisa pública e de renovação que o eleitorado vem demonstrando. À medida que crescem os problemas, crescem os desafios e aumenta a necessidade de novos nomes, mais preparados, mais arejados, conectados com o mundo e capazes de perceberem quais novos e melhores rumos devem tomar a sociedade e seus lideres. A verdade é que uma nova geração de jovens tem assumido a cena política no país nos mais variados partidos e das mais variadas tendências. Todos, apesar das diferenças de matizes, com algo em comum: a compreensão de que a realidade do Brasil impõe novas práticas políticas, novas ideias e propostas que estejam em comunhão com os anseios da sociedade e sua necessidade de melhora. Aqueles que desprezarem esta realidade política sucumbirão no esquecimento das urnas.
Bruno Covas arregimentou por todo o Estado de São Paulo uma legião de gente moça que nunca esteve integrada nem diretamente ligada à política partidária, mas que pelas razões acima assumiram sua campanha e levaram seu nome para dentro das casas, para suas famílias, para conversas de Orkut e outras redes sociais. Eleito pela ONG Voto Consciente como o melhor deputado da Assembleia de São Paulo na Legislação 2007/10, o que percebemos é que a sociedade está, sim, atenta aos desdobramentos dos trabalhos políticos nas referidas instâncias institucionais.
Chama a atenção que no momento mesmo em que Serra perde pela segunda vez uma eleição presidencial, um candidato de 29 anos do PSDB de São Paulo seja ao mesmo tempo eleito o melhor deputado da Assembleia e o mais votado nas eleições. Chama a atenção para a necessidade de renovação, de novos nomes, novos quadros, novas ideias e para o fato de que a população sabe reconhecer esta renovação e chancela estes nomes nas urnas. Se, de um lado, a derrota no plano nacional evidencia o esgotamento de uma agenda e de um prisma político, por outro o que vemos é que esta renovação já se inicia. A intenção demonstrada por Serra de continuar no leme do PSDB é um equivoco e pode comprometer o este partido não apenas em São Paulo, mas no país.
 Quis aqui ressaltar uma realidade específica dentro do PSDB de São Paulo, já em discussão pelos líderes do partido, cientes de que precisam dar atenção à sua nova situação. Mas é bom frisar que a renovação que menciono está se dando pelo país todo e em quase todos os partidos. Em São Paulo um dos nomes mais fortes, de maior personalidade e que mais se sobressaem nesta nova realidade é Bruno Covas.
Luciano Alvarenga

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