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Papéis invertidos

Os filhos que cuidam dos pais

Por MiriamL 
Da BBC Brasil
A situação de uma adolescente britânica de 12 anos que cuida da mãe desde os seis anos ilustra uma realidade que vem se tornando mais comum na Grã-Bretanha e gera preocupação no país.
A mãe da Victoria, Gail, perdeu a visão após ser submetida a uma operação para remover um tumor do seu cérebro. O pai é caminhoneiro e passa longos períodos fora de casa, deixando a mulher aos cuidados da filha.
Victoria ajuda a mãe a se lavar, se vestir e ir ao banheiro. Ela também a alimenta por meio de um tubo inserido no seu abdômen e prepara um complicado coquetel de medicamentos que também precisa ser injetado por meio de um tubo na mãe, quatro vezes ao dia.
"Já sei as doses de cor, então essa parte está tranquila. Eu olho para a minha mãe e sei que isso é o que faz que ela fique viva", diz Victoria, enquanto prepara os medicamentos para a mãe.
"São vários remédios que ela precisa tomar. Você tem de prepará-los com cuidado, amassar tudo, tomar cuidado para que eles possam passar pelo tubo".
Culpa
Gail sabe que cuidar de um adulto é uma responsabilidade imensa, um peso muito grande sobre os ombros de uma jovem de 12 anos.
"Me sinto culpada por fazer com que ela cumpra essas tarefas. Mas para ser honesta, se pessoas de fora viessem me dar assistência, seria uma pessoa diferente entrando pela porta a cada dia", diz Gail.
"Eu gostaria de um pouco de ajuda em tudo", diz Victoria. "Gostaria que viessem nos ajudar com coisas básicas, como levar minha mãe ao banheiro, por exemplo. Dos medicamentos, nós poderíamos cuidar."
Em Dundee, uma cidade na Escócia, a menina Leigh, de oito anos, tem uma realidade parecida com a de Victoria.
Leigh precisa cuidar da mãe, Kirsty, que sofre de transtorno bipolar. A filha fazer companhia constantemente à mãe, dar a ela remédios e, além disso, tem que fazer tarefas domésticas e ir sozinha para a escola.
A menina acaba tendo apenas duas horas por dia para si mesma, das 17h às 19h, quando vai a um centro local para crianças que cuidam de parentes. 
Embora admita que precisa do apoio da filha, Kirsty reconhece que Leigh precisa de ajuda.
"O grupo (de apoio, no centro local) dá a elas (as crianças que cuidam de parentes) a chance de serem crianças", disse. "Isso também as faz perceberem que não estão sozinhas."
Pesquisa
Nesta semana, a BBC divulgou uma pesquisa que indica que o número de adolescentes e crianças que cuidam de pais ou parentes pode ser quatro vezes maior do que calcula o governo britânico.
Ao todo, 4.029 crianças em idade escolar foram entrevistadas. Uma em cada 12 disse ser responsável por dar assistência - como banhar, vestir ou alimentar - a algum membro da família.
Se a pesquisa - baseada em um questionário elaborado por acadêmicos da Universidade de Nottingham University, na Inglaterra - for um reflexo da Grã-Bretanha como um todo, pode haver 700 mil crianças nessa situação no país.
O último censo britânico, feito em 2001, identificou apenas 175 mil delas.
Entidades de defesa dos direitos da criança dizem que o governo está economizando milhões de libras às custas do trabalho dessas crianças, prejudicando a sua infância e destruindo seu futuro.
A secretária para as Crianças da Inglaterra, Sarah Teather, disse que a pesquisa mostra a realidade vivida por essas crianças.
"É chocante perceber que elas não recebem nem apoio, nem o reconhecimento que merecem" disse Teather.
A secretária anunciou que o governo deve lançar um programa direcionado ao grupo no final do ano.

Comentários

ALVARENGA disse…
Que tristeza,tenho uma filha de dois anos e meio e sempre que ela vai fazer algo de diferente faço questão de registrar tirando fotos para mais tarde mostrar a ela.Quais recordações essas solitarias crianças terão,pois deveriam estar brincando,tomando chuva e comendo doce.
O governo esta muito ocupado se preocupando com assuntos que geram dinheiro,a midia não quer saber de filhos que cuidam dos pais isto não da audiência,o que da audiência é filhos que matam os pais.
É o governo esconde de nossos olhos tudo que pode nos causar tristeza e desilusão,este é o mundo que vivemos.

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