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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro nos convida a sermos adultos

Renata Mariz - Correio Braziliense

É claro que toda aquela movimentação no Rio de janeiro e a invasão/expulsão de bandidos das comunidades e favelas da cidade carioca, atende a necessidade de limpar a área para a Copa do mundo e Olimpíadas.
Dois eventos esportivos de caráter mundial vão colocar a cidade do Rio durante semanas sob as lentes do mundo. Mas é claro que eventos deste tipo serve para isso mesmo, fazer aquilo que precisa ser feito, mas que carecia de motivação.
A questão é outra, como será depois? Sem educação de qualidade, esporte, lazer e cultura e formação profissional para jovens e adultos, nada muda. Sem a transformação das favelas em bairros e sua incorporação no tecido urbano legal da cidade, nada muda.
E tudo isso que falei demanda dinheiro. Dinheiro é questão de prioridade. Você tira de algum lugar para colocar em outro que é mais fundamental. Isso é prioridade. A prioridade é limpar a cidade dos bandidos tendo em vista a copa, mas e depois, continuará sendo?
Acredito que algo de fundamental mudou no Brasil nestes últimos anos. De gole o antigo presidente Frances disse certa vez que o Brasil não é serio. Mas acho que estamos nos tornando agora. Muitas coisas estão ficando claras. A operação no Rio apesar de ter como fundamento a copa é a olimpíada, é na verdade o inicio de outra coisa.
O filme tropa de elite 2, uma cusparada na cara da sociedade carioca é o primeiro ato de uma virada naquela cidade. Mas não apenas lá. Pelo pais todo cresce um sentimento de as coisas precisam ser levadas mais a sério, do vereador em que votamos, passando pelo interesse real e de fato pela qualidade da escola em nosso bairro, até as políticas publicas de caráter nacional, tudo nos interessa e precisa ser olhado com atenção. O Brasil de agora precisa ser melhor que o Brasil que herdamos do passado.
Tudo é um processo e depende de muita gente, de milhões de pessoas para dar certo, mas acredito que estejamos a caminho e construindo algo melhor e para mais pessoas.
Quando falo aqui de relacionamento, família, educação e política quero apenas apontar para o fato de que este sentimento de mudança toma conta de todos. Desde o desejo de viver melhor em nossa família, de ter um companheiro ou companheira fiel e para uma vida, até o desejo termos uma cidade melhor e administrada por pessoas sérias, o que percebemos é que a sociedade brasileira se irmana nesse sentimento de construção de algo melhor.
A torcida, a fé com que acompanhamos as operações no Rio catalisa na verdade um sentimento nacional pela mudança. Somos todos um pouco cariocas nestas semanas, queremos que dê certo por lá para podermos acreditar que dará certo por aqui também.
Tenho a impressão que o Brasil vai aos poucos saindo da adolescência. Ficando adulto. Mais serio mais consciente de si e de suas necessidade enquanto nação. Precisamos nos também nos darmos conta de que não somos mais adolescentes e precisamos nos deixar amadurecer para a construção dessa coisa nova. Sempre lembrando que é tarefa de adultos a construção de uma outra cidade de um outro pais, de outro tipo de relação afetiva amorosa.
As operações no Rio de Janeiro nos convidam a ficarmos adultos e aceitarmos os deveres que temos conosco mesmo, com as pessoas que amamos, e com tudo a nossa volta e que de nós depende para que seja melhor.
O Rio nos convida a sermos melhores pais, melhores professores, melhores funcionários públicos, melhores e mais responsáveis empresários, melhores e dignos vereadores, melhor prefeito, sermos melhores enquanto pessoa. É disso que o mundo, a nossa cidade e a nossa família precisa, que sejamos melhores pessoas.

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