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terça-feira, 9 de novembro de 2010

O problema dos jovens são os adultos


A morte do professor e amigo Humberto Baitelo me fez pensar sobre muitas coisas, conversei com muitos alunos e até dei uma prova esta semana falando sobre isso. Ética, moral e sociedade.
É natural acusar os jovens por tudo aquilo que consideramos como liberal demais, sem vergonha etc. apesar de hoje quase nada ser visto como sem vergonha. A quase totalidade das provas feitas por meus alunos na Unilago falavam no mesmo tom. Os jovens não respeitam mais nada, não tem consideração por coisa alguma, não professam nenhum valor, não sabem o que é ética, nem moral, sentem-se perdidos e aqueles alunos que apontavam uma solução ou responsáveis dirigiam-se aos adultos, pais, mães e famílias. Chamavam a atenção em suas redações para limites, fronteiras, mais clareza sobre o certo e o errado, o que pode e o que não pode.
Assistia uma entrevista domingo da Marília Gabriela com o jornalista Carlos nascimento. Confesso que nunca gostei dele, mas estava enganado sobre sua pessoa. Numa parte da entrevista ele conta sobre outra entrevista que havia dado anos atrás em que dizia que havia educado seus filhos segundo critérios de ética, moral, respeito com os mais velhos, uma educação que muitos chamariam hoje de conservadora, e que nós podemos começar a chamar de libertadora.
No dia após a entrevista ele estava andando na praia quando foi abordado por alguns jovens que disseram que haviam assistido a entrevista na TV, o nascimento pensou na hora que seria hostilizado por ter falado de modo tão conservador sobre educação. A reação foi o contrário, os garotos disseram que gostaram do que ele disse, que preferiam ter tudo uma educação com limites, proibições com seus pais no comando do que a que tiveram.
Tenho a impressão de que os próprios jovens já perceberam o prejuízo que sua geração teve. E o interessante é que se para alguém de 40 anos, outro de 20 é jovem, para alguém de 13, vinte anos já ta por fora. Ou seja, esta cultura do novo, da juventude se transformou em algo totalitário, isto é, ser jovem é ser cada vez mais ser muito jovem. E quem não é que viva sob a ditadura de quem é.
A verdade é que aquilo que muita gente imaginou ser liberdade se transformou numa prisão. Os jovens estão completamente perdidos, e estão se entregando as drogas especialmente por que não estão conseguindo falar de si mesmos, se abrirem, e isso por que não há ninguém por perto com quem possam dialogar. Ou os pais estão longe demais trabalhando mais ainda, ou os pais se comportam como se fosse qualquer coisa, menos adultos.
Tem pai e mãe que trocou de papel com o filho.
Violência, apatia e vandalismo fenômenos que encontramos facilmente pela cidade é na verdade subproduto de uma juventude doente psiquicamente, emocionalmente em frangalhos, incapaz de amadurecer por que não foram educados para isso. Os jovens não estão conseguindo passar para a fase adulta e isso é resultado de uma evolução psíquica mal resolvida, fruto de relações familiares problemáticas, fragmentadas, destruídas.
Em uma palavra, o problema dos jovens são os adultos. Luciano Alvarenga

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