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Defasagem salarial

Defasagem é real, mas ser ministro vale, sim

Especialistas indicam que o salário dos titulares da Esplanada é realmente distante do mercado
Do Correio Braziliense
Citar o critério da remuneração do mercado para medir a defasagem dos salários dos ministros, como fez a presidente eleita, Dilma Rousseff, escapa da realidade do Brasil e de muitos países do mundo. O governo precisaria conceder 600% de reajuste para chegar perto do que a iniciativa privada paga.
Comandantes de empresas com faturamento em torno de R$ 100 milhões anuais - montante muito inferior ao orçamento dos ministérios, que alcançam cifras bilionárias - têm salários que ultrapassam a fronteira dos R$ 60 mil.
Profissionais com o perfil técnico de mercado apontado por Dilma como os ministeriáveis ideais ganham pelo menos R$ 500 por hora trabalhada quando atuam como consultores de grandes empresas, segundo tabela remuneratória do Instituto Brasileiro dos Consultores de Organizações (IBCO).
De acordo com o consultor Orlando Pavani, diretor executivo da Gauss Consultores Associados, apesar de os salários de ministros serem menores do que os pagos por grandes empresas, a passagem pelo Executivo federal pode trazer dividendos.
´Uma pessoa que tem experiência de uma pasta da Esplanada ganha o dobro ou o triplo de um valor hora que ela cobra antes`, afirma Pavani.
O senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF) faz coro com o especialista e afirma que a experiência ministerial é um ´investimento` no currículo. ´Passar pelo governo é um investimento para outras alternativas quando sai de lá. Tem que ter um salário decente, mas não é o do mercado`.
O ex-ministro discorda da afirmação de Dilma e diz que a atuação na Esplanada tem inspiração patriótica e de prestação de serviço à sociedade. ´Ninguém é ministro pelo salário, ninguém é presidente pelo salário. O quadro do Estado é diferente. Alguns setores têm que concorrer com o mercado. No caso de ministro, senador, político, não é a concorrência do mercado que vai justificar. É uma questão de patriotismo, não de profissão.`
Enquanto os ministros brasileiros podem assumir o cargo em 1º de janeiro do ano que vem com um aumento salarial, em alguns países europeus os auxiliares dos presidentes sofrerão cortes no contracheque.
É o caso de Espanha, Itália e Portugal, que já anunciaram redução de custos para conter a crise que estão vivendo.
Convertido em real, os ministros italianos recebiam até maio deste ano entre R$ 17,7 mil e R$ 25,5 mil mensais - valores que tiveram corte entre 10% e 15%. Na Espanha, a tesoura pegou 15% dos vencimentos, enquanto Portugal adotou contenção de gastos de 5% no salário de ministros.
Em visita à Coreia do Sul, a presidente eleita do Brasil Dilma Rousseff alegou que os atuais R$ 10.748,43 pagos aos ministros brasileiros estão defasados em relação ao mercado e que, sem um aumento salarial no Executivo, ´não vamos ter ministros no Brasil`.

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