Pular para o conteúdo principal

Veu e grinalda


O mercado de trabalho é instável, não há garantias, o que é emprego hoje pode ser desemprego amanhã. O mundo mudou e ninguém pode se sentir seguro, juntos hoje separados amanhã. A mulher experimenta pela primeira vez ser dona do próprio nariz inclusive para ir buscar seu próprio naco de comida.
O homem por seu turno também não possui nenhum tipo de garantia. Com a agravante de que agora, não possui nem um poder que o distinga da mulher, estão os dois no mesmo barco.
Estamos falando de casamento, não nos esqueçamos. Sem garantias sociais de nenhum tipo, nem relgiosas, uma vez que teve um tempo em que a sociedade e a igreja garantiam o casamento, casou tá casado, o pessoal não gostava disso, agora casou não quer dizer nada, ter um filho para segurar o marido menos ainda, aliás, em alguns casos o filho pode até atrapalhar. O que fazer então?
Muitas mulheres estão assustadas e não se sentem seguras com este lance de emprego, grana e vida independente, muitas acham que isso é uma roubada e que ela pagará o preço mais alto no fim das contas. Velha e sozinha corre o risco de no fim da brincadeira ter que arcar com um preço maior do que o homem. O homem por seu lado, já perdeu tudo, tinha poder, a submissão da mulher, o medo e o respeito dos filhos e cantava de galo na rua. Hoje não tem mais nada e é uma mão de obra de menos valor no mercado de trabalho.
Muitas que ainda casam no roteiro véu e grinalda, família e filhos, têm a esperança de estarem garantindo uma espécie de seguro de vida futuro. Eu conheço várias mulheres que estão em casa esperando o marido chegar do trabalho, cozinham, passam e cuidam o bebê. Que garantia isso dá eu estou acompanhando para ver.
A verdade é que nem homem nem mulher estão seguros. A sociedade se transformou em algo hostil aos humanos. Nós nos transformamos em lenha para queimar na lógica do mundo, quando teve um tempo em que sociedade é que funcionava para nos ajudar. Não há nada que façamos que nos dê alguma garantia. Isso explica bastante a insegurança as angustias de muita gente.
Casamento era uma idéia que tinha como objetivo dar segurança para mulher contra os instintos sexuais incontroláveis dos homens, ao mesmo tempo em que mantinha as regras sociais e religiosas sob o respeito de todos. Hoje todos podem o que bem quiserem, mas a segurança foi para o espaço.
Como me disse uma mulher casada com um profissional duas décadas mais velho do que ela, “gostaria de largar meu marido e tocar minha vida, mas não posso, não posso agir com a emoção, todas as vezes que fiz isso me dei mal”. O que ela disse é: preciso manter minha vida num mínimo de segurança.
No fundo é o que todo mundo está pensando. Se de um lado a liberdade inclusive a sexual permeia o mundo, por outro, as pessoas estão estarrecidas com o alto grau de insegurança em que estão sendo obrigadas a viver. L.A

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…