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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Veu e grinalda


O mercado de trabalho é instável, não há garantias, o que é emprego hoje pode ser desemprego amanhã. O mundo mudou e ninguém pode se sentir seguro, juntos hoje separados amanhã. A mulher experimenta pela primeira vez ser dona do próprio nariz inclusive para ir buscar seu próprio naco de comida.
O homem por seu turno também não possui nenhum tipo de garantia. Com a agravante de que agora, não possui nem um poder que o distinga da mulher, estão os dois no mesmo barco.
Estamos falando de casamento, não nos esqueçamos. Sem garantias sociais de nenhum tipo, nem relgiosas, uma vez que teve um tempo em que a sociedade e a igreja garantiam o casamento, casou tá casado, o pessoal não gostava disso, agora casou não quer dizer nada, ter um filho para segurar o marido menos ainda, aliás, em alguns casos o filho pode até atrapalhar. O que fazer então?
Muitas mulheres estão assustadas e não se sentem seguras com este lance de emprego, grana e vida independente, muitas acham que isso é uma roubada e que ela pagará o preço mais alto no fim das contas. Velha e sozinha corre o risco de no fim da brincadeira ter que arcar com um preço maior do que o homem. O homem por seu lado, já perdeu tudo, tinha poder, a submissão da mulher, o medo e o respeito dos filhos e cantava de galo na rua. Hoje não tem mais nada e é uma mão de obra de menos valor no mercado de trabalho.
Muitas que ainda casam no roteiro véu e grinalda, família e filhos, têm a esperança de estarem garantindo uma espécie de seguro de vida futuro. Eu conheço várias mulheres que estão em casa esperando o marido chegar do trabalho, cozinham, passam e cuidam o bebê. Que garantia isso dá eu estou acompanhando para ver.
A verdade é que nem homem nem mulher estão seguros. A sociedade se transformou em algo hostil aos humanos. Nós nos transformamos em lenha para queimar na lógica do mundo, quando teve um tempo em que sociedade é que funcionava para nos ajudar. Não há nada que façamos que nos dê alguma garantia. Isso explica bastante a insegurança as angustias de muita gente.
Casamento era uma idéia que tinha como objetivo dar segurança para mulher contra os instintos sexuais incontroláveis dos homens, ao mesmo tempo em que mantinha as regras sociais e religiosas sob o respeito de todos. Hoje todos podem o que bem quiserem, mas a segurança foi para o espaço.
Como me disse uma mulher casada com um profissional duas décadas mais velho do que ela, “gostaria de largar meu marido e tocar minha vida, mas não posso, não posso agir com a emoção, todas as vezes que fiz isso me dei mal”. O que ela disse é: preciso manter minha vida num mínimo de segurança.
No fundo é o que todo mundo está pensando. Se de um lado a liberdade inclusive a sexual permeia o mundo, por outro, as pessoas estão estarrecidas com o alto grau de insegurança em que estão sendo obrigadas a viver. L.A

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