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domingo, 17 de outubro de 2010

Sobre as escolhas


O que é ser mãe. Esta é uma pergunta que parece obvia, mas talvez não seja. Quando fazemos esta pergunta estamos não apenas nos perguntando sobre um papel social deste ser da mulher, mas o que a sociedade quer com a resposta. Não é apenas o que é ser mãe, mas o que quer a sociedade.
Como quer a sociedade os filhos do futuro, que tipo de gente achamos que devemos formar, que tipo de gente formamos nas últimas décadas. Quando olhamos para pessoas de 20, 25 anos ficamos contentes com o resultado ou não sabemos mais quem são, nem ao menos conseguimos nos identificar com eles?
A questão não é uma pergunta para a mulher, é uma pergunta para todos nós. Todos somos mães, mãe dos nossos filhos, mães dos nossos alunos, mães dos nossos amigos, dos nossos colegas, as pessoas que conosco trabalham, nosso cotidiano transpira escolhas que fazemos todos dos dias.
O que quero dizer é que a sociedade que ai está é escolha nossa. Se individualista, dividida, fragmentada, consumista, poluidora, temos que aceitar que fomos mães disso tudo. Se nossos filhos tem uma vida que não conseguimos saber exatamente o que é foi por que permitimos que isso ocorresse. Se cada vez fala-se menos de amor, de solidariedade, de paz, de harmonia, de comunhão, e cada vez mais nos identificamos menos com o que ai está é por que nós quisemos que as coisas fossem assim. Como uma aluna minha de 15 anos me disse certa vez. Será que se na minha casa não houvesse elevador, meu pai teria ficado mais comigo.
Ter um elevador em casa exige tempo para trabalhar e comprá-lo, isso significa que este tempo será subtraído de algum lugar ou de alguém.
Ou como disse um professor meu amigo na ocasião do aniversário de 15 anos de sua filha. “Luciano, não acredito que ela tá fazendo 15 anos, não vi passar, onde eu estava”.
A pergunta sobre o que é ser mãe nos coloca uma questão sobre o que queremos. E esta pergunta está sendo respondida com o fato de que cada vez mais as pessoas não querem ter filhos, podemos concluir duas coisas fundamentais disso.
Primeira é que a sociedade vê cada vez menos razão em ter filhos, não há mais alegria em tê-los pode ser uma razão. E segundo, como lidar com a família num ambiente social em que os discursos são apenas do trabalho, do prazer e da felicidade individual.
Amanhã na semana de psicologia da Unorp a partir das 19 horas estarei tratando deste tema. Luciano Alvarenga

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