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Ser homem ou gay?



Luciano Alvarenga
Acredito que meu comentário de ontem sobre o aumento dos gays ficou confuso, vou me explicar.
O que quis dizer ontem é que a crise do hetero masculino está levando ao aumento no número de gays. A questão que pode estar na cabeça da molecada é: melhor do que ser um hetero em crise é ser gay que, aliás, está na moda.
Mas qual é a crise dos homens? São muitas, a principal é uma crise de valores. Qual o valor de ser homem? A sociedade se despedaça, a ética desapareceu, o respeito com o outro é apenas uma moda que ninguém segue. Os homens levam a guerra por todos os lados. A ganância virou valor religioso, é bonito ser ganancioso. As lideranças sociais estão corrompidas. Os pais pensam apenas em si mesmos e se dispensam de ser uma referência ética para os filhos. Lideranças políticas agem em causa própria e contra a sociedade.
Empresários e comerciantes pensam apenas em sua margem de lucro, ensinam a engenharia de ganhar sempre, mesmo quando todos perdem. Ser ético, ser guiado por valores morais e por uma conduta pública digna é coisa de otário. Ser homem é transar todo mundo sempre e sem compromisso, a idéia é usar quem estiver disponível para ser usado, mesmo que isso signifique o rebaixamento do outro.
Os grandes homens morreram e as grandes causas levadas por eles também. Os homens se perderam, se apequenaram, se corromperam. Se dedicam as mesquinharias e a vilania. Quando muito se prestam a vender uma imagem publicitária e vazia. Ao contrário de junto com a mulher pensar uma nova sociedade, abandonaram qualquer projeto.
Os homens estão em crise por que aceitaram a insignificância e se acovardaram diante da mudança. Ser homem não quer dizer mais nada por que eles nada tem a dizer.
Muitos garotos estão virando gays por que não tem motivos para serem homens. Os únicos motivos que inspiram a maioria dos homens é a mentira, a corrupção, a riqueza, o sexo sem significado, o poder sem responsabilidade.
Ser gay, para aqueles que não são geneticamente gays, é a tentativa de ser alguma coisa, ser alguém, de fazer diferença quando os homens não querem mais fazer diferença alguma.
A crise da política, a crise da sociedade, a crise dos valores, a crise da família é também e em grande medida uma crise do masculino e sua incapacidade de ser erguer e assumir ao lado da mulher a sua grandeza.

 A crise do masculino

Muitas pessoas me perguntam, especialmente em palestra, a razão do aumento do número de gays na sociedade. Ainda que vivamos numa sociedade muito machista, não se pode negar a conquista de espaço que fizeram os gays nas últimas décadas.
A questão é polêmica, mas vamos a ela.
Em primeiro lugar, qual a imagem que o universo gay passa, uma idéia urbana, cosmopolita, plugada com as tendências mais atuais da sociedade contemporânea. É claro que aqui estou me referindo a um público gay profissional liberal, que ganha salários razoáveis e que tem uma vida, digamos, materialmente boa.
É inegável que as transformações no mundo hetero, especialmente aquele ligado ao casamento e a família, também contribuíram para a imagem que temos dos gays atualmente. Filhos que crescem em creches, espaços tipicamente femininos, educados quase sempre por mulheres, seja em casa, ou na escola. Com a ausência sempre marcante dos maridos, pais ou outra figura hetero masculina, me parece não haver dúvida de que alguma influência isso poder ter.
Por outro lado, o fato do mundo hetero masculino estar cercado por uma profunda crise de identidade, ligada as transformações da sociedade, e o fato de que os homens, por conseqüência, passaram a ter uma posição distanciada, ausente, omissa até em relação a estas mesmas mudanças, podemos a ventar que de repente a escolha pela homosssexualidade esteja ligada a essa omissão masculina em relação a importância e o papel que deveria ter e não está tendo na sociedade atual. Em resumo, o homem afasta-se, ausenta-se de se pensar e pensar a sociedade atual e seu novo papel e com isso deixa de ser uma referência sexual para as novas gerações de garotos.
A crise do masculino poderia explicar em alguma meidada a razão de muitos garotos quererem ser gays. Isso é um ponto a ser pensado, mas há outros como o fato de que a cultura gay está na moda. O que é mais atraente para um garoto, um churrasco com um monte de homem comendo e bebendo até ficar bêbado, ou o universo noturno descolado de boates, bares e espaços freqüentados pelos gays e simpatizantes?
É claro que existem aquelas pessoas que nascem gays, não tem haver com escolha. Trata-se de uma conjunção de fatores genéticos que a predispões a essa sexualidade, mas certamente não é a maioria hoje.
Me parece, entretanto, que a cultura gay e o número crescente de pessoas do sexo masculino que se definem como gays está diretamente ligado ao hetero masculino. Quem são os homens dignos de serem copiados, respeitados, seguidos? O que vemos pela sociedade toda, dos pais aos políticos são homens que não inspiram nada, não atraem. Alguém disse que o modelo é o exemplo, que tipo de exemplo os homens dão?
Num mundo em crise social e ambiental, o que vemos é uma profunda crise de autoridade, corrupção, falsas lideranças, adultos imaturos, e isso é tudo o que temos do masculino, não surpreende que os garotos queiram ser gays.
Os homens precisam passar por uma revolução, e essa revolução significa se repensar de acordo com uma nova sociedade.

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