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Questões de fundo


A questão é essa, por que apesar de todas as transformações vivenciadas pelas mulheres nas últimas décadas muitas delas ainda sonham em ser donas de casa, cuidar do marido com a conseqüente dependência financeira advinda desta situação?
As mulheres que viveram o Brasil anterior, ou o tempo em que as mulheres em tudo dependiam do marido se perguntam como garotas de 20 anos, algumas com mais de 30, ainda podem querer tais coisas.
Duas coisas podem ser elencadas para explicar esta situação, uma é o desejo de ter uma família em moldes tradicionais, eu pergunto é possível? Outra é um medo, receio talvez, ou não sedução que o mundo do trabalho e da vida profissional exerce sobre algumas mulheres.
Colocado isso, a questão é: possível voltar no tempo, é possível ter uma vida familiar tradicional depois de todas as mudanças que a sociedade passou e vem passando. Que tipo de relação afetiva uma mulher terá na tentativa de criar um envolvimento em que ela entra na posição de alguém dependente economicamente?
Desrespeito, humilhação, auto-estima baixa, alienação das transformações sociais em curso, tratamento secundário por parente, amigos e colegas, isso é apenas algumas das coisas que estas mulheres vivem quando dependentes de seus maridos e sem uma vida própria e que dêem curso as suas potencialidadas. Existem exceções?, exceções existem para todas as coisas.
É claro que todas as conquistas feitas pelas mulheres em décadas passadas residiam especialmente na luta contra o machismo, contra o poder masculino, e pela liberdade das mulheres em relação a si mesmas. O poder masculino sempre esteve assentado no fato de a mulher lhe ser dependente financeiramente. Uma mulher sem trabalho, sem dinheiro, sem profissão é obrigada pelas forças das circunstâncias a ser submissa ao homem. Submissão vem de rebaixamento.
E por que algumas mulheres, ou como disse ontem, as jovens senhoras aceitam reviver este reabaixamento?
Uma das conquistas importantes e que as pessoas ainda querem construir com seus parceiros amorosos é uma relação altiva, de auto-estima, de respeito, de igualdade, de cumplicidade, de igualdade sexual e de direitos. Como explicar que algumas jovens senhoras e outras nem tanto queiram abrir mão disso e regredir a um patamar de meio século atrás?
As pessoas estão contentes com os resultados conseguidos nestas últimas décadas em termos de relacionamento, amor, vida profissional e cotidiana? Alguma coisa no presente não se encaixa com os sonhos e expectativas das pessoas em relação a própria vida, uma espécie de “as coisas melhoraram, mas sei lá”.
Eu vou dizer o que estas mulheres estão procurando quando se refugiam neste mundo tradicional que já acabou, elas estão a procura de segurança. Falaremos sobre isso amanhã. Luciano Alvarenga


Comentários

ARIANE disse…
Palestra maravilhosa.. Parabens!!! pelo carisma que cativa a todos...
Continue assim..uma pessoa inteligente E QUE ADICIONA MUITO EM CADA PALESTRA...,afinal é o QUE falta HÁ muitos... dIfErEnCiAl!!!!
suCeSSO !!!
Ariane fEeRNAnDA 1-ano psicologia- Unorp.

E vIvA a PaDaRiA!!!!RSSS \0/

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