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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Querem colocar uma mordaça na mídia"


Luciano Alvarenga
Eu recebi um e-mail do advogado Paulo Younes, pessoa, aliás, que eu tive o prazer de trabalhar junto que me sugeriu abordar o tema da liberdade de imprensa, tema em discussão na sociedade civil e na mídia.
Paulo Younes, a questão é a seguinte:
Em primeiro lugar o fato de que não existe liberdade de imprensa no Brasil, isso por que toda a imprensa brasileira está concentrada monopolisticamente nas mãos de 10 famílias. Discutir liberdade de imprensa é em primeiro lugar democratizar a mídia. Como fazer isso. Acabando com a exclusividade do mercado de mídia brasileiro para as empresas nacionais. Desde os anos 80 e especialmente a partir dos dois mandatos do FHC que a economia brasileira se abriu para o mercado mundial. Isto é, não existe nenhum setor da economia nacional protegido, todos os setores estão abertos e competem com empresas internacionais pelos mercados do mundo todo. Se vocÊ fabricar sapato terá que competir com as fábricas chinesas e isso vale para todos os setores. Isso redundou como todos sabemos não avanço da economia nacional, e no desenvolvimento tecnológico das empresas nacionais.
Qual o único setor que não sofre competição internacional e está protegido contra a concorrência do mercado mundial, o setor de mídia. Nenhum setor de mídia internacional pode investir no Brasil, um dos maiores mercados do mundo, por que está impedido pela lei brasileira. Mas por que este setor da economia recebe a proteção do estado e os outros, como os de sapatos, roupas e aço tiveram que enfrentar a competição internacional?
Será que esta proteção não explica em alguma medida o descalabro e o péssimo jornalismo que estamos vendo ser realizado no Brasil? Será que o fato da mídia ter proteção não explica o porque de revistas, jornais e TVs estarem em campanha eleitoral como se fossem partidos políticos?
E por que todas as vezes que a sociedade fala em desmonopolizar a mídia, a mídia reage raivosamente acusando quem quer que seja de querer calar a imprensa, colocar mordaça na mídia?
É a sociedade que quer amordaçar a mídia ou a mídia quer continuar amordaçando a sociedade?
Não é mídia que diz que concorrência é bom, aliás este era o mote nos anos 90, quanto mais mercado melhor. Por que mercado para os outros é bom, mas não para ela.
A explicação é comercial. Se o mercado de mídia no Brasil for aberto, eles terão que enfrentar a concorrência. A telefônica e outras teles poderão entrar no mercado de televisão, competindo com a globo, poderão atuar no mercado de internet competindo com a UOL que é da Folha de São Paulo. Ou seja, eles querem o mercado protegido para poderem por o preço que quiserem, TV a cabo no Brasil é caríssimo, por isso existe o gato net, internet aqui é cara, lenta, de péssima qualidade e isso tudo por que não tem concorrência.
Quando a mídia aparece naquelas propagandas dizendo “querem colocar uma mordaça na imprensa”. Leia exatamente o contrário. O que se quer é democratizar. Aliás, umas das razões para fazerem uma cobertura jornalística tão ruim do governo e do Lula é esse, o governo vem estimulando a sociedade a debater este tema.
Quando uma democracia precisa conviver com tão poucos grupos de imprensa, corre sempre o risco de se tornar refém de interesses corporativos e partidários desta mesma imprensa. A cobertura das eleições este ano, no péssimo nível que estamos vendo é uma prova disso.

Um comentário:

Maria Janice disse...

Excelente, para não dizer PERFEITO!
A considerar que 1)o 'conhecimento' da massa de cidadãos brasileiros é norteada exclusivamente na mídia, e, 2)visando a mídia apenas a calamidade intelectual, 3) para desta forma manter um sistema que prima pela manutenção dos interesses perpétuos patrimonialista(de poucos), bem, está plenamente justificada a razão de ser do oligopólio nacional.
Penso eu, falta de conhecimento justifica a razão do péssimo nível. A massa que define eleições é aquela que aprecia este modelo, e por isto o prilégio de poucos grupos: vendem o ideal coletivo - não conhecer, logo, não questionar o que temos e o porquê de termos este modelo aí. A quem atende verdadeiramente?
De novo, excelente o artigo.
Abraço, Janice.