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Paraibuna

Bom dia Luciano

Relembro com saudades o tempo que minha avó materna (madrasta do meu pai) morava na praça de Paraibuna, na casa que hoje pertence ao Adauto Cuta. Apesar de ser criança guardo na memória aquelas belas imagens das casas, das pessoas e das ruas. Que delícia era brincar naquela praça onde tinha um carramanção com quatro colunas, onde eu brincava de quatro cantos. Paraibuna para min era a cidade ideal para uma pessoa viver, não tinha ladrões, não tinha muitos carros nas ruas, tudo mundo se conhecia e todos podiam viver uma vida sem preocupações. Porém, apesar de vê-los muitos problemas existiam naquela cidade, haja vista que nos anos 20 30, a população era maior do que hoje. As pessoas optando dar um vida melhor aos seus filhos deixaram Paraibuna. Meu pai minha mãe e meus irmãos são exemplos dessas famílias. No final dos anos 50 foi que o exodo paraibunense tornou-se mais forte e era comun encontrá-los aqui em São José ganhando a vida, apesar da saudade da terrinha. Tio Jorge tentou mas não se adaptou a vida da cidade e vc sabe muito bem como foi pra ele.

E hoje Luciano, apesar do grande abismo que exite entre aquela época e hoje, em termos de tecnologia, saúde pública oportunidade de empregos, Paraibuna pouco avançou. Até posso concordar com o modelo que se quer dar a Paraibuna como cidade, um condomínioo fechado onde poucos conseguem ter uma vida confortável. Mas o que não se pode deixar de enxergar é a invasão de moradores de outras cidade que adquiriram pequenas chacarás em loteamentos clandestinos, sem nenhuma infraestrutura, cujos lotes, muitos deles, foram abandonados pelos adquirentes de classe média que se viram ameaçados por invasores. Lembro que na época que eu estava na Prefeitura era comun pessoas residentes em outras cidades aparecerem no jurídico dizendo que estavam sendo processadas por conta de dívida de IPTU de propriedade adquirida nesses loteamentos de chacarás irregulares. Elas não fazim nenhuma questão em manter a propriedade, muitas delas me relatavam que haviam abondonado a chácara por medo de assaltos e outros delitos, pois o loteamento não possuia infraestrutura e o acesso é difícil pela precariedade das estradas.

Então o que mais cresce em Paraibuna é a parte ruim do progresso de uma cidade, loteamentos clandestinos, você sabia disso? E esse povo que vem morar na cidade, a maioria pessoas de boa indole, não tem trabalho, tem apenas um pedaço de chão pra morar os quais agravam os problemas sociais de Paraibuna, é o exodo ao contrário, porém sem a parte boa do progresso que é emprego e dinheiro girando na cidade. Por isso eu acho que não dá mais pra resgatar aquela Paraibuna do meu tempo de criança é preciso buscar solução pra esse problema, ou nossa Paraibuna se tornará uma Itaquaquecetuba, pois a localização é muito boa pra se morar, poucos quilometros dos grandes centros.

Então, não podemos continuar a ver Paraibuna como um condomínio fechado, existem cupins silenciosos que trabalham noite e dia e quando acordarmos o mourão de cerca só vai ter a casca.
O romantismo dos governos passados estão em risco e precisam acordar para a realizada, e não me venha jogar no meu colo a resolução desse problema, porque não sou candidato a nada, o problema é daqueles que assumem essa responsabilidade quando são elevados a cargos de adminstradores públicos.

Joaquim Rico talvez tenha percebido isso, por isso preferiu abandonar a vida política. Alias, ele também é responsável por um dos loteamentos irregulares que existe em Paraibuna. É aquele que fica no morro ao lado do cemitério, Jardim Panorama. É só muma questão de tempo, daqui a pouco os atuais proprietários, que são famílias de classe mais rica de Paraibuna, começam a vender aquilo, pois sabem que a regularização nunca chegará, pois a legislação federal não permite loteamento em terrenos daquela espécie. Dai veremos nascer o Dog Sit II.

Um abraço. João Carlos

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