Pular para o conteúdo principal

Midia faz renascer o pior do país

O fator Internet na campanha

Por Paulo Dias Filho
Caro Nassif,
Eu gostaria de destacar o papel da internet nesse processo. Para mim, ela está sendo crucial nessa onda conservadora que tomou conta de metade do país.A velha mídia criou o ambiente, a internet deu a retórica.
A velha mídia armou a bomba que está sendo detonada agora. Foi ela que, desde 2005, criou o caldo de cultura que atingiu seu ápice na campanha eleitoral.
O marco de tudo isso que se vê hoje é o episódio "Mensalão". Se por um lado, ele tirou o governo Lula do imobilismo, forçando-o a ser pró-ativo, por outro lado serviu para grande imprensa começar a criar o clima, o ambiente conservador e anti-petista em parcela considerável da classe-média e da elite. E de quebra, subestimar os feitos positivos do governo.
É empírico. Conheço muitas pessoas que, mesmo não sendo petistas, votaram no Lula em 2002. Por 2 motivos. Primeiro, pelo desgaste do governo FHC. Segundo, pela bandeira da moral e ética pregada pelo PT. Nesse sentido, o episódio "Mensalão" foi traumático para o PT. Conduzido de modo eficiente pela mídia, o "Mensalão" funcionou como um anti-clímax, decepcionando milhares e milhares de eleitores do PT, militantes ou não. Aí começou a demonização do partido, construída durante esses cinco anos perante setores mais conservadores e suscetíveis à grande imprensa. O senso-comum "República Sindicalista", "República dos Companheiros", "Antro de Corrupção", estabeleceu-se, enraizou-se.
Eu mesmo sou um exemplo. Era pródigo em repetir slogans anti-petistas, acriticamente. Até que comecei a frequentar os blogs mais progressistas em 2006 e passei a ter outra visão do mundo político.
A bomba estava armada. Faltava o detonador. Era a internet.
É empírico também. Converse com os atuais anti-petistas. 99% deles não conseguem fazer uma única crítica racional ao governo ou à Dilma. É um festival de lugar-comum, preconceitos e baixaria. E é fácil perceber que essa retórica veio da internet. Dessa rede de emails apócrifos, de vídeos no Youtube.
O efeito multiplicador dessa rede é o muito significativo. Ela se consolidou em todas as classes sociais. Entre empresários, profissionais liberais, comerciantes, donas de casa, adolescentes, trabalhadores de baixa renda com acesso à internet, religiosos, etc. Daí espraiou-se para os ambientes frequentados por essas pessoas.
O mais impressionante nisso tudo é a banalização da baixaria, aliada à irracionalidade das pessoas. Eu estou assustado. A disputa política ficou reduzida à termos como "assasssina", "pilantra", "bandida", etc. Quem não entrou nessa insanidade está sentindo-se impotente, pois não há como contra-argumentar nesses termos, nesse nível de discussão.
Em particular chama-me a atenção, como citado pelo Nassif, a postura do Serra. Chega a ser inacreditável que um candidato a Presidente da República permita(em nome do poder, insuflado pela vaidade) criar-se esse clima de caça às bruxas, atropelando-se os adversários sem o menor escrúpulo.
O episódio Mônica Serra e o tal "matadora de criancinhas" é o símbolo perfeito dessa campanha eleitoral.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…