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Marina

As eleições e o fenômeno Marina

Coluna Econômica
Ainda haverá um mês para saber quem será o novo presidente do Brasil. Mas, conforme o esperado, as eleições marcaram o fim de uma era na política brasileira, que se inicia com a redemocratização, consolida o PT e o PSDB (saído das entranhas do PMDB) como os partidos que dominam o cenário nesse período, tendo o DEM e o PMDB como aliados importantes.
Nessas eleições, foram enterradas algumas das lideranças mais marcantes do período, como Tasso Jereissatti, Arthur Virgilio, José Genoino, César Maia, José Carlos Aleluia, Fernando Collor, Geddel Vieira Lima, Gustavo Fruet, Heloisa Helena, Marco Maciel, Romeu Tuma.
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Não é apenas a troca de nomes, mas o fim de um desenho partidário.
O DEM sai das eleições praticamente liquidado. A dúvida é apenas sobre o que acontecerá com ele, se se incorporará ao PMDB ou se permitirá a seus filiados mudarem para os partidos de suas preferências.
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O maior fenômeno da eleição foi a candidata Marina Silva. Em geral, em todas as eleições existem ondas maiores ou menores que acabam se refletindo, em algum momento, em candidaturas alternativas. Em outras eleições, foi assim com Garotinho, Ciro Gomes, na pré-campanha de Roseana Sarney, Heloisa Helena. Na campanha de 1989 houve a onda Afif Domingos, a onda Mário Covas.
Só que a campanha de Marina foi além da mera onda final. Com 20% dos votos válidos, confirma algumas análises que a apontam como uma das referências políticas pós era Lula.
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A rigor, na campanha não chegou a demonstrar um corpo articulado de propostas econômicas ou sociais. Do Caio Túlio Costa absorveu a imagem do pós-moderno. Do Eduardo Gianetti, alguns princípios de livre mercado. Do seu candidato a vice, Guilherme Leal, o discurso do planejamento estratégico integrado, sistêmico.
No campo econômico, não se sabe como irá gerar empregos, qual sua visão sobre a economia, sobre desenvolvimento, sobre inovação, sobre juros e câmbio, quais os modelos de gestão com que pretende trabalhar. Mas pouco importa.
Sob o comando do marketing político, as campanhas não exigem esse grau de detalhamento. No fundo, os candidatos têm que se prender a alguns bordões que marquem sua imagem pública junto ao eleitor comum e forneçam a utopia capaz de consolidar a militância para o tempo seguinte.
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O bordão de Marina foi a chamada pós-modernidade, visão sistêmica, planejamento integrado, desenvolvimento, inclusão social, sob a ótica do século 21, do respeito ao meio ambiente. Palavras como equilíbrio, sustentabilidade, diálogo se constituíram no cerne dessa construção de imagem.
No imaginário – especialmente dos jovens – emergiu como um Avatar, com discurso absolutamente contemporâneo, da sustentabilidade, associado a uma biografia que lembra em muito a saga de Lula e sem os vícios do modelo político brasileiro.
Uma outra Marina – a crente – captou o público evangélico, muito mais por sua fé do que por convicção.
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Faltam-lhe, obviamente, a capacidade de mobilização, o carisma e a visão de futuro de Lula. Mas será um referencial no jogo político pós-eleitoral.

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