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Maria Rita Khel e o Estadão

Maria Rita quis “analisar o argumento que aparece muitas vezes de que os pobres votam na Dilma porque não querem trabalhar, só receber a Bolsa Família”. Um argumento ouvido pelo PÚBLICO até entre jovens patrões do interior de Minas. “Eu dizia que se alguém deixa um emprego pelos 200 reais, no máximo, da Bolsa Família, é porque os patrões estão pagando menos de metade de um salário mínimo. O meu outro ponto é que quando os ricos de São Paulo votam pelos seus interesses parece normal. Mas quando os pobres votam pelos seus interesses parece anormal, como se fosse voto comprado. Quando o que se passa é que os pobres, que nunca tiveram direitos, agora têm uma consciência maior e votam pelos seus direitos.”
A crónica era isso. “Saiu no sábado, 2 de Outubro, e recebi muitas mensagens no email agradecendo.” Os comentários no jornal eram menos simpáticos. “Na terça-feira, 5, a editora ligou dizendo que os leitores que mais têm pressão, o conselho do jornal e os accionistas estavam muito descontentes, que a coluna estava muito política e eles esperavam uma coisa mais de comportamento, que estavam a pensar acabar com a coluna, mas que a editora ainda ia conversar com o director [de conteúdos] Ricardo Gandour. Mas imediatamente depois isso chegou à Internet. Centenas de mensagens no Twitter a perguntar: “Você foi demitida?”". Durante umas horas, contou-lhe um amigo, Maria Rita Kehl “foi o nome mais citado no Twitter a nível nacional e internacional”. Maria Rita resolveu telefonar à editora, Laura Greenhalgh, a dizer: “Espero que saiba que eu não faria isso, “vazar” para a Internet.” A editora falou com o director de conteúdos, e ligou a Maria Rita a dar a resposta. “Disse que, como o assunto tinha vazado na Internet, a situação tinha ficado insustentável e aí a coluna terminava mesmo. Quando perguntei por que não me avisara antes [que não estavam satisfeitos com o rumo mais político da crónica], ela disse que não fazia isso, interferir, como se fosse censura.”
O que o “Estadão” fez “é expulsão por motivos políticos”, resume Maria Rita. “Li que ele [Gandour] disse que não era político, que os colunistas vão e vêm, mas isso não é verdade. Eu estava lá só desde Fevereiro. A posição dele é muito cínica, acho que devia assumir. Eu começava a crónica dizendo que o Estadão tinha feito bem em declarar o seu voto em José Serra, porque assim o debate se tornava mais claro. E então me posicionei como colunista. Pode chamar-se de censura, sim. E como saber se poderemos confiar na imprensa quando mesmo esse jornal que já foi censurado faz a mesma coisa?” Na íntegra
http://www.cartacapital.com.br/politica/a-demissao-de-rita-kehl-vista-pelos-portugueses

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