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Aborto: questões de fundo

Luciano Alvarenga
Evitei entrar na péssima discussão que se travou nesta eleição à respeito do aborto.
Péssima por que se reduziu a discutir ser a favor ou contra. Como se o tema de tamanha gravidade e importância pudesse ser resumido numa palavra, sim ou não.
Aborto envolve a dignidade da mulher, a família, educação para uma sexualidade saudável e responsável, ética, moral que não precisa ser religiosa necessariamente. Aborto significa uma discussão madura sobre no que se transformou ou vem se transformando as relações sexuais e afetivas entre as pessoas na atualidade.  
Aborto é mais do que uma questão individual, é uma discussão sobre os rumos que a sociedade pensa para si mesma. Penso inclusive que o aborto é o último tema a ser discutido nesta lista que citei a cima. Nenhuma mulher se sente bem nem é favorável a prática, e quem pratica está cercado de circunstâncias de difícil decisão e de graves conseqüências psicológicas.
Aborto é também uma pergunta sobre as relações entre pais, mães e filhos. Uma pergunta sobre como cada um entende suas responsabilidades e seu papel dentro da sociedade e dentro da família.
O que percebo é que a sociedade de maneira quase unânime é que ela não quer discutir o tema do aborto, e por que não quer? Esta pergunta é um dado importante. A recusa da sociedade ao tema significa um sinal de que a sociedade não aceita os desdobramentos que a liberalidade dos comportamentos ganhou nestes últimas décadas. Isso significa então que sexualidade, afetividade, amor, espiritualidade precisa ser discutido e tratado com profundidade dentro das famílias.
Aborto é o último ponto de uma série de problemas que a sociedade não pode fechar os olhos. Relações familiares, cumplicidade no amor a dois, alcoolismo, a sexualização crescente da infância e erotização permanente dos adultos. O abandono da escola e sua transformação em algo inútil e sem sentido. O esvaziamento das relações familiares e a mercantilizarão da educação dos filhos.
Todos somos contra o aborto. Mas ser contra precisa, entretanto, redundar numa sociedade que lide melhor e de forma mais séria e responsável com a educação de crianças e adolescentes, e certamente com o resgate da maturidade do adulto. Numa sociedade em que os adultos cada vez mais se recusam a amadurecerem, a se portarem de fato como adultos responsáveis por seus filhos e pela sociedade onde vivem, não podem simplesmente dizer que é contra o aborto. Ser contra o aborto é ter um comportamento mais digno, mais ético, mais moral em relação ao outro, em relação aos próprios filhos, em relação ao companheiro, em relação as pessoas.
Numa sociedade que vem transformando o corpo do outro numa lata de lixo onde despejamos nossos desejos, nossas angústias, nossos dilemas, nossos ressentimentos e medos, precisa se pensar.
O aborto não é o começo é o fim.
Tem gente que acha que casar e ter filho é ser alguém, que isso a torna responsável e pessoa de bem dentro da sociedade. Não, isso não basta. Casar e ter filho não torna ninguém melhor. Apenas casar e ter filhos não torna alguém melhor. Alguém que aborta é filho de alguém, cresceu e foi educado por duas pessoas.
Se as pessoas não educam seus filhos, não se tornam responsável pelo que eles se tornam quando crescem, estes pais perdem automaticamente o direito sobre eles. Se é a sociedade que cuidará e não os pais, então estes pais perdem o direito pelos filhos.
Os pais precisam entender que a maternidade e a paternidade é um sacerdócio, é dedicação exclusiva, sim. Por que só assim poderemos ter certeza do que eles serão quando forem adultos.
Para terminar diria, se quisermos acabar com os abortos na sociedade precisamos discutir a sexualidade precoce de crianças e adolescentes, discutir o direito que a propaganda no Brasil tem de falar o que quiser para quem quiser da forma que quiser. Aborto está diretamente ligado a estupro geralmente praticado por pais, padrastos, irmãos e tios.

Comentários

Francisco disse…
A FORÇA DA MULHER BRASILEIRA,EM CASA E NA PRESIDÊNCIA

LEMBRE-SE QUE AO SEU LADO VOCÊ TEM O AMPARO DE UMA GRANDE MULHER QUE O FEZ ASCENDER NA SOCIEDADE E SAIR DA BASE DA PIRÂMIDE SOCIAL E ASSIM PASSOU A CONHECER O SIGNIFICADO DE UM SALDO BANCÁRIO,UMA VIDA MAIS CONFORTÁVEL.

MUITOS SÃO OS MARMANJOS QUE AO LADO DESSAS GLORIOSAS MULHERES PASSARAM A INFLUENCIAR NO MEIO SOCIAL,PASSARAM A TER POUCO TEMPO PARA O TRABALHO E HOJE,AS AUXILIAM NO GERENCIAMENTO DO PATRIMÔNIO CONSTRUÍDO POR ELAS.

TAÍ,PENSE NISSO!DEIXE DE SER PRECONCEITUOSO E NO DIA 31 DE OUTUBRO,NESTE DOMINGO PRÓXIMO,VOTE TAMBÉM NUMA GRANDE MULHER - DILMA 13 PARA DAR CONTINUIDADE AOS PROJETOS ECONOMICOS E SOCIAIS DO PRESIDENTE LULA.

SE AO SEU LADO VOCÊ TEM UMA GRANDE MULHER,ESCOLHA UMA OUTRA GRANDE MULHER PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO!

VOTE DILMA PRESIDENTE!!!

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