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Artigo: Luciano Alvarenga


Quem pode escolhe, quem não pode aguenta
Existem os que querem filhos, mas não podem tê-los, existem os que podem, mas não os querem e, existem aqueles que os tem, mas, preferiam não ter.
Os que querem filhos e não podem tê-los compõem a minoria, mas são favoráveis a todos os métodos técnicos e artificiais para consegui-lo. Neste caso, a tecnologia é uma benção, fruto da luz divina iluminando as mãos humanas.
Filhos que saem de experiências em tubos de vidro ou, da indução bio-tecnológica não espanta ninguém e, é considerada por quem pensa e pode falar, como um direito que quem pode pagar, tem.
Há também os que podem ter filhos, mas não os tem, ou tem apenas um. Este grupo é o que mais pode ter filhos, mas os que menos tem. Não acham um investimento de retorno satisfatório.
Como o retorno não satisfaz, aquele grupo é o que mais investe em não ter filhos – leia-se, anticoncepcionais e pílulas do dia seguinte. Assim como o grupo que os quer, mas não podem ter, o grupo que não deseja filhos, ou quer apenas um, também louva os métodos e tecnologias contraceptivas, e dela faz uso. Isto por que impedem que os tais filhos indesejados nasçam.
Aqui, as tais técnicas não chegam a ser uma benção, mas cumprem seu papel para as pessoas que preferem ter controle sobre a própria vida. É bom que se diga que, neste último caso, a razão que explica o por quê não ter filhos ou tê-lo apenas um, é econômica – ter filho além do racional é por um pé na insegurança material, isto é, na pobreza.
Não podemos nos esquecer de um outro e numeroso grupo, os que não podem ter filhos, pelo menos na quantia que os tem, que é assombrosa para os padrões do século XXI. Estou me referindo aos que sobrevivem pela teimosia da natureza, isto é, os muito pobres, ou apenas pobres.
Estes deveriam ser os mais interessados no debate sobre encher ou não a terra de gente. Afinal, são os que mais a enchem. Mas quem é que os quer escutar. São os que mais põem a mão na massa, mas o que menos falam à respeito de como vêem a própria situação.
É bom que diga que, para estes, as maravilhas da tecnologia de reprodução, ou de controle de natalidade, são coisas que não conhecem. Tem pouca informação, a que tem talvez não entendam, a que entendem não tem como acessar materialmente. Entretanto, são vítimas silenciosas dos resultados que, uma vida enchendo a terra de gente, acaba gerando, ou seja, pobreza.
Ora, não são exatamente aqueles que mais podem ter filhos e não os tem, os que mais acessam diuturnamente os métodos de controle de natalidade, e por conseqüência mais conseguem manter seus padrões de vida, que mais gritam e falam e esbravejam sobre que direitos tem os pobres e miseráveis, a respeito de ter filhos ou não? Para os pobres, o direito à vida – miserável -, para nós, o direito de escolha.
Os que podem e tem filhos dizem, se pudesse hoje não os teria. Mas escuto os mesmos dizendo que métodos de contracepção são um atentado contra vida. Atentam contra a vida dos que estão vivos e, hipocritamente, defendem os que nem existem.
Tecnologia, quando é para quem pode, resulta do engenho humano, quando é para quem é pobre, é atentado contra vida.

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