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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Brasil pós-PSDB 5

A importância da oposição preservar a dignidade

Por João Sabóia Jr.
Da Folha
Boa análise da campanha Lula x FHC e da campanha atual de Serra:
JONATHAN WHEATLEY
Nada como o sucesso
Oposição consistente consegue preservar a dignidade para lutar de novo outro dia
Nada, como dizemos em inglês, garante resultados como o sucesso (nothing succeeds like success). Em 1994, tanto Fernando Henrique Cardoso quanto Luiz Inácio Lula da Silva sentiram isso na pele. FHC, surfando na onda do apoio popular ao Plano Real, era uma força irresistível na eleição presidencial.
Enquanto isso, Lula se encontrava na posição nada confortável de ser obrigado a fazer oposição a políticas que traziam um benefício óbvio e espetacular para seus eleitores naturais, as camadas mais pobres da população, para quem a inflação era a mais cruel injustiça dos tempos recentes. Agora, para importar outra expressão do inglês, a bota está em outro pé. Enquanto Lula surfa uma onda ainda maior de popularidade, aparentemente a maior de todos os tempos no país, José Serra está sendo obrigado a ser seu opositor.
Só que Serra não está cumprindo com suas obrigações. De certa maneira, é compreensível. Opor-se ao Lula de 2010, como dizem nos EUA, é como se opor à maternidade ou à torta de maçã. Não dá ibope.
Mas o Lula de 1994 não se curvou diante daquela dificuldade. Suas ideias e propostas podem não ter sido aceitáveis, podem até ter sido repugnantes para grande parte do eleitorado. Nem por isso ele as abandonou. O povo merecia uma alternativa e, mesmo se a rejeitasse, era papel dele fornecê-la. Serra é diferente. Às vezes se posiciona como o herdeiro natural de Lula. Às vezes, como candidato a ministro de Saúde.
Mais recentemente, começou a bater. Mas a verdadeira oposição, a que oferece uma alternativa a tudo aquilo que está aí, ele não faz. Isso é uma pena. Serra pode não ter políticas oposicionistas, mas o PSDB, creio eu, ainda tem. No PSDB, suponho, deve haver pessoas que acreditam no poder positivo da privatização.
Deve haver pessoas que acreditam no Estado enxuto, na meritocracia, no tão odiado "neoliberalismo". Essas ideias podem não dar ibope no Brasil de hoje. Mas elas são, pelo menos, da oposição. E, às vezes, uma oposição consistente consegue preservar sua dignidade para lutar de novo outro dia. Mas na política é assim mesmo. Nada fracassa que nem o fracasso.
JONATHAN WHEATLEY é correspondente do jornal "Financial Times" no Brasil.

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