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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Máquina social


Por Lucas Pereira Vieira
 
O sexo hoje parte para um novo mercado em ascensão, o mercado explicito. Nunca, na historia da humanidade, o sexo foi tão comercializado; noto com clareza o abuso de imagens erotizadas, seja nas propagandas de cerveja, seja nas de cremes faciais.
Mas, ao que se deve essa ascensão do mercado explicito? Durante muito tempo me questionei, sem chegar a uma conclusão definitiva. Creio que nessa nova modalidade do capitalismo, na qual o objetivo da propaganda não é apenas anunciar o produto, mas sim deixa-lo marcado em seu subconsciente e de alguma forma torna-lo indispensável à felicidade de seu consumidor. De fato, o poder de tais propagandas é enorme, por exemplo: imagine aquela clássica cena de domingo, família reunida, almoço na mesa e para acompanhar? Coca-cola como não pode faltar no verdadeiro almoço em família. Esse é o poder da mensagem implícita dos comerciais, a rápida associação de uma refeição ao produto, por exemplo.
Porém a mensagem explicita, por mais incoerente que possa soar, para mim tem efeito ainda mais subjetivo. Usando novamente o exemplo da propaganda da coca, mas dessa vez partindo da mensagem explicita, aquela que todos vêem, compreendem e não interpretam. O clássico almoço em família, você vê aquele parente com o qual não simpatiza sentado à mesa? Não. Todos os presentes estão bem vestidos e sorrindo, o que em linhas gerais, é transmitido ao telespectador é que a família unida, feliz e próspera depende daquele líquido milagroso que no comercial parece reluzir de forma sedutora.
O sexo aposta nesse novo tipo de propaganda. O sexo não paga para estar lá, ele é uma idéia, uma concepção do ato praticado por prazer e/ou procriação dos humanos. A imagem de alguém com sucesso sexual é fortemente ligada a imagem do sucesso em si por questões evolutivas e biológicas. Portanto, temos a sensação de que se não estivermos transando com freqüência somos fracassados, incompetentes, logo, vistos com desprezo pela sociedade. Partindo desta idéia o mercado milionário de cifras e almas do sexo aposta cada vez mais em jovens talentos musicais e estrelas do cinema, imagens já vinculadas ao sucesso. Mas ele não para por ai, seus braços se estendem rumo às propagandas, sejam elas de cerveja, cremes para pele, roupas e até mesmo carros, afinal numa equação simples realizada no cérebro masculino; quanto melhor o carro, melhor a gata, melhor o sexo.
O bombardeio sexual ao qual somos expostos em nosso cotidiano é imenso. Trabalho, colegas, rádio, televisão, revistas, músicas. Em tudo ele está presente, perdeu o verdadeiro valor de sua existência, o clímax do amor e relacionamento de um casal.  Tornou-se um símbolo vazio, consumista e inexpressivo. Mais um símbolo usado para o auto-retrato da sociedade doente. Mais um escravizado pela máquina social.

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