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“Ditadura eleitoral” ou Mídia golpista?


Rodrigo,
Postei comentários do Arnaldo Jabor aqui, especialmente os politicos muitas vezes; mas acho que ele enveredou para uma linha reacionária difícil de engolir. Em relação aos outros nomes que vc citou na sua postagem/comentário , sinta-se a vontade para me mandar  que eu publico. Luca.alvarenga@gmail.com


Democracia nunca foi o forte na América Latina, aliás ditadura sempre foi a palavra de comando no continente. Mas já faz algum tempo que eleições e rodízio de poder vêm ocorrendo. A volta da democracia coincidiu com a ascensão do neoliberalismo e a ideia, agora esgotada, de que o mercado tudo resolve e de que quanto menor e menos importante for o Estado, melhor. Políticos pós-ditaduras assumiram o poder e se transformaram em reprodutores aqui daquelas ideias neoliberais. A democracia naquele contexto era conveniente porque endossava a cartilha de mercado à venda.
Entretanto, algumas décadas de neoliberalismo só fizeram aumentar a pobreza, a violência urbana, o tráfico de drogas e o favelamento das cidades. Tais consequências sociais e econômicas - que se diga: também nos países centrais se fizeram sentir, ainda que de forma menos drástica - acabaram por levar ao poder na América Latina muitos políticos do centro esquerda do espectro político. Hugo Chaves, Rafael Correa, Evo Morales, Lula, Fernando Lugo, Tabare Vazquez estão entre eles.
Depois dos desmandos políticos ditatoriais e a implantação acrítica de modelos econômicos importados, a consolidação da democracia no continente tem acontecido mediante a universalização de políticas sociais, o acesso generalizado dos mais pobres a programas de renda mínima, e por consequência a eleição e reeleição de políticos com trajetória nas lutas sociais e políticas na América Latina.
A chegada da esquerda ao poder, a implantação de fortes políticas sociais somadas à regularidade eleitoral esvaziaram o discurso dos políticos de direita, esvaziamento agravado com a crise financeira e ideológica acontecida nos Estados unidos em 2008. A consolidação eleitoral da esquerda e os ganhos sociais obtidos pela população vêm gerando na mídia tradicional e nos meios políticos conservadores forte reação. É parte desta reação a tentativa de vender a ideia de que reeleição - implantada em muitos países, inclusive Brasil, pela própria direita ou partidos de centro - é na verdade expressão de uma espécie de caudilhismo ou ditadura que a mídia vem divulgando como "ditadura eleitoral". Quando Uribe presidente da Colômbia busca reeleição é vontade popular, quando Chaves da Venezuela o faz é ditadura eleitoral.
Quando a democracia era conveniente à implantação de políticas econômicas neoliberais que expropriavam direitos e aumentavam o fosso entre pobres e ricos, ela era propagandeada como a única alternativa para o desenvolvimento via mercado. Agora que o mercado salvador faz água e é questionado em todo lugar e por todo mundo minimamente sério, a mídia tradicional questiona os processos eleitorais e a legitimidade da população em dizer se pretende como quer e como agir diante de um vácuo ideológico que possibilita a emergência do Estado como elemento básico e necessário ao desenvolvimento social e econômico dos povos latino americanos.
Diga-se que ninguém está propalando a morte do mercado, muito pelo contrário, por todo canto se entoam as vantagens e os ganhos de uma sociedade de livre mercado. O que está em questão é o papel e a presença do Estado na construção de uma sociedade mais equilibrada e equânime. Porém, o problema da mídia também não é exatamente o Estado e suas funções na sociedade, mas o fato de que seus representantes políticos e os homens que a representam junto àquele Estado foram apeados do poder. Estão sem discurso não possuem projeto alternativo à falência do neoliberalismo, e, portanto, estarão por algum tempo mais, sabe-se lá quanto tempo mais, fora do poder e impedidos de condicionar as forças e as riquezas nacionais de acordo com seus particulares interesses de classe. A mídia questiona a democracia dando-lhe nome de "ditadura eleitoral", porque impossibilitada de apresentar nomes e formular propostas que sejam hegemônicas.
A formação do G20 como fórum decisório da economia mundial, deslocando a importância do G7, retira do centro da cena os Estados Unidos e redefine a posição de países como o Brasil que, a partir de agora, terão muito mais margem de manobra para pensarem autonomamente a forma para seu desenvolvimento. Autonomia, soberania e prerrogativa sobre seus próprios desígnios é coisa nova na região, ainda mais quando quem está no poder na maioria dos principais países Latinos são governos de esquerda. Governos de esquerda e autonomia decisória é tudo que políticos conservadores e a mídia tradicional latino americana não suportam; e este é o pano de fundo de quase tudo o que está acontecendo no continente. A questão daqui para frente é avanço democrático ou retrocesso golpista.
Luciano Alvarenga

Comentários

Rodrigo disse…
''A questão daqui para frente é avanço democrático ou retrocesso golpista.''
Luciano, apesar dos 80% q aprovam(os) o Lula, eu confesso q sinto um medinho de golpe tambem... mas estou otimista, quero crer q evoluimos...
porem espero golpes cada vez mais baixos dos reaças e da midireita... como os q aconteceram aqui em Rio Preto no segundo turno de 2008...
vc acha q nacionalmente esse perigo é grande ou pequeno?
Dona S/A disse…
eu gosto qdo são suas palavras
Rodrigo. A velha midia vai iniciar uma campanha de desestabilização do governo Dilma um mês depois dela tomar posse. A velha midia entrou numa cinuca; de uma lado, sofre a concorrência cada vez mais forte da internet via blogs e sites independentes que no mais das vezes vem fazendo uma discussão de muito maior nível do que aquele feito pelos jornalões. De outro lado, os jornalões jogaram a credibilidade no lixo quando entraram nessa insanidade de tentar derrubar o Lula ou desacreditá-lo a qualquer custo. A insanidade levada a cabo pelos jornalões e Revista Veja entrará para a história do jornalismo brasileiro. O que sobrou para velha midia dentro deste contexto?, apenas a luta empresarial e a tentativa de se manter corporativamente e é o que eles farão a paritr de agora, sem leitores ou com cada vez menos, e com a concorrência com a internet, resta a luta empresarial na tentativa de ter espaço junto a setores politicos que represente estes interesses dentro do Estado. L.A
Sobre a eleição de 2008 em Rio Preto, especialmente o segundo turno. Uma semana antes da eleição o Rillo estava com 15 pontos na frente do Valdomiro. no dia da eleição sai nos jornais empate técnico. ESTRANHISSIMO.
No último comicio do VAl, o Serra chega na cidade de helicóptero sem aviso prévio, nem imprensa sabia, na véspera da eleição fala-se em empate técnico. Que aconteceu coisas a margem da democracia e do direito eleitoral, certamente. Agora por que o Rillo ficou na dele e nada comentou sobre isso, aliás, desde o segundo turno da eleição que o que vemos é um profundo silêncio do Rillo sobre a administração atual. Depois de 100.000 votos imaginava que ele deveria ser a grande voz da oposição, mas... ele deve ter as razões dele.
Rodrigo disse…
mas o rillo entrou com processo por compra de votos pelo valdomiro... foi bastante noticiado na época... e logo depois ele ja foi trampar em brasilia... mas o pai dele vem fazendo uma boa oposiçao como vereador...

mas dizem tbm q nas 4 ultimas eleiçoes pra prefeito, sempre ganhou quem estava atras nas pesquisas... coisas de black river...

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