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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bons modos

O fator grosseria na campanha de Serra

É necessário conhecer um pouco os efeitos dessa grosseria de Serra com os prefeitos do PSDB, para entender a razão da votação esperada de Geraldo Alckmin ser tão superior a dele no estado de São Paulo. Ou entender a razão da debandada dos prefeitos do PMDB, depois que Orestes Quércia abandonou a campanha ao Senado por problemas de saúde.
Desde o dia em que botou os pés no Palácio Bandeirantes, na condições de governador, Serra assumiu a postura de um Imperador. Conhecidos de muitos anos se espantavam com o deslumbramento de um quase septuagenário. Parecia que Serra se vingava de anos e anos em que ficou em segundo plano, seja como Secretário de Montoro ou Ministro de FHC, seja como filho de uma família de classe média do Braz.
A educação nunca foi seu forte. Em geral, atribuía-se sua grosseria a uma suposta timidez, embora a maioria dos tímidos seja recatada.
No poder, extrapolou.
Conseguiu criar no próprio PSDB resistências até mais fortes do que o anti-petismo do PSDB paulista. E explica em grande parte sua derrota clamorosa em São Paulo. O próprio afastamento do campeão d votos do partido, Gabriel Chalita, se deu depois dele esperar por cinco horas ser recebido por Serra.
Como se recorda, o Serra planejava sair de São Paulo com 5 milhões de votos de vantagem. O PT, mais otimista, esperava perder por apenas 2 milhões. Provavelmente Dilma terá 5 milhões a mais que Serra justamente no estado em que os tucanos sempre foram mais fortes.
Na raiz de tudo, uma antipatia generalizada dos prefeitos tucanos em relação a Serra.
Em Marília, reduto tucano, o prefeito Mário Bulgarelli jurou publicamente jamais apoiar Serra, embora preste todo apoio a Alckmin.
Sua bronca decorre de uma sucessão infindável de grosserias de Serra, contra ele e contra terceiros. A começar do fato de jamais ter sido recebido no Palácio Bandeirantes, nem por Serra nem por Aloizio Nunes.
Foi a menor das grosserias.
Recorda-se de um evento das Fatecs no Palácio Bandeirantes. Houve um concurso para o desenvolvimento de inovações. Marília venceu em primeiro, com um tipo de quitute; Bauru ficou em segundo. Somados, dois colégios eleitorais com 750 mil pessoas.
A premiação foi no Palácio Bandeirantes. Prefeitos, deputados, diretores de Fatec, alunos reunidos, mais Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab. Serra entra, não cumprimenta ninguém, recusa o quitute que foi-lhe oferecido por uma mocinha simpática, sem lhe dar satisfação, sequer agradecer a gentileza.
A diretora do Paula Santos fez um discurso e em determinado momento mencionou uma estatística qualquer. Falou em 500. Serra começou seu discurso sem saudar nenhum dos presentes e dando uma bronca nela. Não eram 500, mas 496 e não se devia exagerar nos dados. A senhora, de branca ficou rubra, causando constrangimento geral nos presentes.
Segundo o prefeito, vendo sua indignação Alckmin lhe fez um sinal conformado tipo "não ligue". Kassab estava constrangido, sussurrando frases tipo "o que fazer". Todos envergonhados com a grosseria pública de Serra.
Noutra feita, Serra veio a Marília. A cidade tem uma estrada de contorno necessitando de recapeamento. Antes do início da solenidade, um assessor de Serra informou o prefeito que o recapeamento estaria sendo providenciado. O prefeito subiu ao palanque, falou antes do governador, e agradeceu a promessa do recapeamento.
Serra tomou a palavra e chamou o prefeito de mentiroso na frente de todo mundo. Disse que jamais tinha prometido nada.
O deputado estadual da região, político de 240 mil votos, também não quer ver Serra nem pintado.
É uma bronca tão grande que, quando fala de Serra, o prefeito – sujeito calmo e afável – avermelha e despeja toda sorte de adjetivos: "Presunçoso, mal educado, grosseiro, egocêntrico, arrogante...".

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