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Aécio enterra Serra

A fria vingança de Aécio

Por Weden
Quando Aécio saiu da disputa pela candidatura tucana à Presidência, ele sabia dispor  de um grande trunfo para provar que ele estava certo, ou, o que dá no mesmo,  mostrar que Serra perderia as eleições: simplesmente deixar que Minas fosse...Minas.
Aécio não esqueceu as humilhações da imprensa paulista. E riu bastante do esforço desta mesma imprensa em impor a ele uma vice-candidatura (ver abaixo do gráfico o editorial que soa como um "Manifesto Mineiro contra o Paulicentrismo")
Sem o Nordeste e sem o Rio, Serra precisaria desesperadamente abrir margem em Minas. Mas Aécio quase nunca se preocupou em levar Serra a tira colo; apadrinhou a adesão de Márcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, a Dilma; não se manifestou contra o movimento Dilmasia e, o que é mais importante, brecou a repercussão das campanhas da  imprensa serrista no Estado.
O Estado de Minas, o maior jornal do Estado, não deu uma manchete sequer favorável a Serra.  No tal "escândalo" da Receita ignorou fartamente o movimento de denúncias; e agora estou pouco se lixando para Baracats cia.
Como diz o ditado mineiro: "Vingança é prato que se come frio". O resultado é catastrófico para Serra. Enquanto Aécio sorri triunfante como novo procurador da massa falida do PSDB.

Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves.
Pior. Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra, competente e líder das pesquisas de intenção de votos até então.
Atarantados com o crescimento da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, percebem agora os comandantes do PSDB, maior partido de oposição, pelo menos dois erros que a experiência dos mineiros pretendeu evitar.
Deveriam ter mantido acesa, embora educada e democrática, a disputa interna, como proposto por Aécio. Já que essa estratégia foi rejeitada, que pelo menos colocassem na rua a candidatura de Serra e dessem a ela capacidade de aglutinar outras forças políticas, como fez o Palácio do Planalto com a sua escolhida, muito antes de o PT confirmar a opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na política, a hesitação cobra caro, mais ainda numa disputa que promete ser das mais difíceis. Não há como negar que a postura vacilante do próprio candidato, até hoje não lançado, de atrair aliados tem adubado a ascensão da pouco conhecida candidata oficial.
O que é inaceitável é que o comando tucano e outras lideranças da oposição queiram pagar esse preço com o sacrifício da trajetória de Aécio Neves.
Assim como não será justo tributar-lhe culpa em caso de derrota de uma chapa em que terá sido apenas vice, também incomoda os mineiros uma pergunta à arrogância: se o mais bem avaliado entre os governadores da última safra de gestores públicos é capaz de vitaminar uma chapa insossa e em queda livre, por que Aécio não é o candidato a presidente?
Perplexos ante mais essa demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros estão, porém, seguros de que o governador "político de alta linhagem de Minas" vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem.
Ele sabe que, a reboque das composições que a mantiveram fora do poder central nos últimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer não.

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