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O Brasil pós-PSDB

O jeitinho do novo brasileiro

Coluna Econômica
O que é brasileiro hoje? É um herdeiro da tradição portuguesa do século 19? "É o complexo de viralatas" de Nelson Rodrigues? Tem as características apontadas por Sérgio Buarque de Holanda em "Raízes do Brasil"?
Desde meados dos anos 90, nas minhas colunas, apontei para algumas características tidas por depreciativas e que, em uma perspectiva moderna, se transformavam em virtudes
É o caso do "jeitinho" brasileiro. Antes, era visto como malandragem. Com a modernização da gestão das empresas, passou a ser uma virtude, a flexibilidade, a capacidade de encontrar soluções fora dos manuais rígidos das empresas.
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Esses tipos de mudanças foram identificadas, agora, em uma pesquisa inédita – "Opinião dos brasileiros" - desenvolvida pela República, empresa especializada em pesquisa de opinião, dentro do Projeto Brasilidade. A intenção foi analisar a autopercepção do brasileiro, depois de vinte anos de democracia e após a estabilização econômica.
O trabalho foi preparado pelo sociólogo e cientista político Rodrigo Mendes Ribeiro, diretor-geral da República.
As conclusões são animadoras. Mesmo após 15 anos com a maior parte dos comunicadores reforçando o complexo de vira-latas, 78% dos entrevistados manifestaram "orgulho de ser brasileiro".
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A pesquisa identificou três perfis de brasileiros: os que lutam pela sobrevivência (38%); os que aspiram pela estabilidade (26%); e os que buscam aprimoramento (36%). Eles constituem a base dessa nova sociedade, definida pela pesquisa como "mais complexa e rica, mais amadurecida e informada" .
E qual é o símbolo desse brasileiro moderno e eficiente? O "jeitinho". "É o atributo que, na visão dos entrevistados, mais define o que é "ser brasileiro" hoje", constata.
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O que faz as pessoas se sentirem "brasileiras"?
1. O brasileiro é um "batalhador" com alta capacidade de superação.
2. Ele mantém a alegria mesmo na adversidade.
3. Faz uso do "jeitinho" como um recurso de adaptação social.
Essa identidade nacional é marcante, mesmo com várias matizes regionais ou de classe social, constata o trabalho.
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Trata-se de um trabalho essencial como insumo para os novos intérpretes do Brasil. "Da perspectiva evolucionista de Silvio Romero, Euclides da Cunha e Nina Rodrigues – que defendiam que o "branqueamento da população, salvou-a da degeneração" – à visão moderna de Manoel Bomfim, Mário de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Câmara Cascudo, autores que trouxeram inovação ao lançar um novo olhar à cultura nacional".
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O primeiro a tratar do "jeitinho" brasileiro foi Guerreiro Ramos, no livro "Administração e estratégia de desenvolvimento", de 1966. Segundo ele, seria uma característica comum às sociedades latino-americanas, " um mecanismo de adaptação às situações perversas da sociedade brasileira".
O que parecia ser fruto do subdesenvolvimento, agora virou fator de identificação positiva do novo brasileiro.

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