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A liberdade de imprensa, por Jorge Furtado

Por Jorge Furtado
“Confessemos [pensam os jornais] nossa fraqueza ao público prussiano, mas sejamos diplomáticos na nossa confissão. Não lhe diremos exatamente que nós somos pouco interessantes. Dir-lhe-emos que, se os jornais prussianos são pouco interessantes para o povo prussiano, isso sucede porque o povo prussiano é pouco interessante para os jornais”.

Karl Marx, em “A Liberdade de Imprensa”.*

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Considerando que...

Os blogs e as redes sociais da internet estão participando ativamente, pela primeira vez, de uma eleição presidencial brasileira.

Apoiado fervorosamente por todos os grandes jornais brasileiros, o candidato de oposição – uma oposição que prometeu dar uma surra e acabar com a raça do apedeuta assassino ladrão mentiroso estuprador de menores de nove dedos - mudou de nome, agora é Zé, e Zé é Lula desde criancinha.
 
que finalmente caiu a ficha de que as redes sociais encurtam decisivamente as pernas da mentira (não existem mais segredos), amplificam e esmiúçam detalhes das notícias da televisão, dos jornais e das rádios, preservam e tornam de fácil acesso qualquer declaração feita em qualquer lugar, a qualquer um, para sempre e, por tudo isso, têm papel decisivo na formação da opinião pública.

A antiga imprensa passa por momentos difíceis em todo o mundo e aqui também, com queda de circulação e perda de importância política, a ponto de um presidente, com enorme aprovação popular, declarar publicamente que parte do sucesso de seu governo se deve ao fato dele não ter perdido tempo “lendo jornais”.

Considerando tudo isso...

Aproveito o ensejo para defender a fundamental importância da antiga imprensa, do velho e bom jornal (seja de papel ou digital), diário, feito por jornalistas, repórteres, editores, com salário pago pelo jornal para escrever notícias.

Eu acho ótimo escrever aqui, quando e o que me der na telha, mas isso não é jornalismo. A quase totalidade dos blogs, facebooks e twitters são diletantismo, louvável disposição para gastar parte do seu tempo participando da vida social e política do país, um dever cívico, mas isso ainda não é jornalismo.

Jornalismo é a busca diária (incluindo sábados, domingos e feriados) pelo fato, a verdade factual possível, a informação. Dá um trabalhão e deve ser bem remunerada. A questão é: por quem?

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Quando abandonaram o compromisso com a verdade factual (1) os antigos jornais brasileiros deram um tiro no pé, perderam relevância.

Quando tomaram o partido, de forma inquestionável ainda que velada, de uma oposição irascível a um governo extremamente popular, cuja política incluiu mais de 20 milhões de brasileiros no mercado consumidor, os jornais deram um tiro no outro pé, desprezando os consumidores dos seus possíveis anunciantes.

Para recuperar o tempo, o público e a credibilidade perdida, os jornais anunciam a criação de um órgão de autorregulamentação. Pode ser uma boa idéia, se funcionar.

A blogosfera não substitui os jornais. Blogs, sites, jornais, revistas, televisão, rádio, são complementos fundamentais na busca da verdade factual, que é a base do jornalismo.

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(1) Dez barrigas da mídia contra Lula:

1. As “supostas contas” no exterior. 
 2. As declarações do delegado Edmilson Pereira Bruno (caso Aloprados), que os jornais sabiam serem falsas, publicadas como verdadeiras.
 3. O grampo sem áudio.
 4. Os cinco milhões de grampos telefônicos no país, que viraram sete mil e quinhentos.
 5. A ficha da Dilma que o jornal diz não poder afirmar ser falsa. 
6. O desleixo do governo petista, denunciado em manchetes de capa, na conservação do “valiosíssimo” (pago 20 reais) quadro do Picasso na sede do INSS. http://www.nao-til.com.br/nao-82/picasso.htm
 7. O assassinato, pelo governo Lula, de 200 pessoas na queda de um avião, que se provou estar sem freio.
 8. A corrupção no governo da petista Yeda Crusius.
http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/06/08/pais2008060...

9. Os cartões corporativos que pagaram, além de tapiocas, “bailarinas”.http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2650576-EI7896,00.html 
 10. A tentativa de estupro do "menino do Mep".
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2711200908.htm
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Pérolas do Nonsense
“Na Presidência da República, se houver encontro secreto, nada fica registrado, nem na segurança, é como se não existisse. Assim, se tiver um encontro secreto, a prova é que não ficou registrado.”
Alexandre Garcia, telejornal Bom Dia Brasil, TV Globo, 25/08/09
http://colunas.bomdiabrasil.globo.com/alexandregarcia/

“A Folha tem procurado checar a autenticidade da ficha. Foram contatados três peritos de larga experiência na análise de documentos e um especialista em imagens digitais. Todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo, pois necessitavam do original da ficha, que nunca esteve em poder da reportagem”.
Matéria não assinada da Folha de São Paulo, 28/06/09, explicando que os seus “peritos de larga experiência” não poderiam afirmar se a suposta ficha de Dilma foi criada digitalmente num programa de computador sem examinar o original de papel.
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* A Liberdade de imprensa. Karl Marx, tradução de Cláudia Schilling e José Fonseca, L&PM Editores, Porto Alegre, 1980.

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