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Eleições no Brasil


Brasil: você vai falar dele
Está claro que o Brasil mudou de patamar. Está claro que a sociedade brasileira se divide entre os 82% que aprovam o governo Lula e outros 5% que o rejeitam. Nunca esteve tão clara a imensa distância entre os que nunca acreditaram na nação nem no povo brasileiro e alegria que se irradia pelo país neste momento único. De um lado, a voz amarga, reacionária e desesperada dos donos do poder midiático que, divorciados da nação, não enxergam o mundo que se abre à sociedade brasileira. De outro, um candidato órfão das ideias que sempre defendeu apegado às bandeiras de um tipo de Brasil que fica para trás.
Mas não apenas as bandeiras velhas, os estandartes defasados que são largados à beira da estrada. Aos poucos ideologias baratas, ideias furadas, comportamentos sedimentados na imprensa perdem significado e força. “O povo não gosta de política”, “o povo não sabe votar”, “o Brasil nunca dará certo”, “aqui nada vinga”, “a política é só roubalheira”, “no Brasil é só praia e carnaval”. Quantos mitos reproduzidos apenas para afirmar a ideologia dominante de que o problema é o povo. O que mais desespera aqueles 5% da sociedade, classe dominante, não é estarem fora do poder e assim continuar, é terem que acompanhar quase impassíveis serem desmascarados em sua covardia, sua inércia, seu divórcio da nação, porém, mais fundamentalmente ainda, serem descobertos no fato de que nunca quiseram um país.
Pela primeira vez a nação, em todos os seus sentidos, se torna protagonista na possibilidade de escolher. Porque até agora ao povo só restava concordar com a falta de escolha, com a falta de destino, com a impossibilidade de se realizarem em todas as suas potencialidades. Policarpo Quaresma, do escritor Lima Barreto, eterno personagem das potencialidades frustradas, se vinga neste momento histórico em que uma mulher , Dilma Rousseff, reafirma perante a nação o desejo de continuar o projeto nacional de incluir a massa das gentes brasileiras no roteiro da história. O torneiro mecânico migrante, a mulher torturada, e aos poucos o povo vai se vendo no poder e vendo o próprio poder.
Não, não se trata da mesma coisa, não se trata de uma falácia, não se trata de um engodo, muito menos da continuidade do projeto neoliberal falido levado a cabo por FHC. Assim como o Lula e a Dilma também, trata-se sim é de deixar claro à América Latina que outro destino é possível ao Sul do Equador. Não há divisão, não se trata de uma sociedade dividida, trata-se do Brasil querendo ser sul-americano em todos os sentidos e direções. À fazenda que o Brasil foi nas mãos de endinheirados que sonhavam ter nascido em Miami, que nunca sonharam o sonho do povo, resta agora associar-se ao novo que emerge e se consolida, ou entrincheirar-se na própria pequenez.
A grandeza do Brasil não está apenas em suas riquezas minerais num mundo que se esgota, está na multiplicidade de cores de sua gente num mundo que se divide, na capacidade de integrar todos os credos quando pelo mundo as religiões se crispam, de reinventar culturas quando as culturas do mundo aqui se encontram, de olhar para o mundo quando todos começam a olhar para si. De ousar falar quando o mundo se levanta em armas. O Brasil se faz importante agora não pelo que tem e pode dar ao mundo, mas pelo que pode fazer pelo mundo para que ele seja melhor do que é.
 Uma grande nação está aí para ser construída e ela começa com educar o povo sobre sua própria grandeza.
Luciano Alvarenga, Sociólogo

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