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Brasil Pós-PSDB




Da emoção de ser uma repórter de campanha


Esta repórter de campanha fala sem medo de errar: a maioria das mulheres jornalistas teve uma fase ultra feminista na vida. A jornalista é, por excelência, uma observadora do mundo, e se for brasileira então, em algum momento há de ter se deparado com gritantes diferenças de gênero. Foi relembrando um pouco deste sentimento que recebi a notícia de que meu nome estava escalado para a cobertura da Plenária das Mulheres. Pensei: “Vai ser emocionante ver tantas mulheres unidas por uma mesma causa. Mulheres tão diferentes, de origens tão distintas, unidas por um mesmo símbolo”. Até então, tudo bem. Uma repórter de campanha deve estar preparada para fortes emoções.

Escolhi a roupa cuidadosamente, fiz a maquiagem um pouco mais caprichada, na certeza de que esta seria uma pauta pra lá de especial. Cheguei no trabalho animada, porém tranquila. Mas foi só começar a divulgação do evento na internet para perceber que a coisa seria muito maior do que o que eu vinha imaginando. Muitas mulheres apoiando, confirmando a presença, começando a pôr em pauta as questões que viriam à tona mais tarde em forma de discursos belíssimos – que digo, outra vez, sem medo de exagerar, uns dos mais emocionantes da curta carreira desta repórter.

Na hora marcada, a equipe preparou o material como de costume, acertou os detalhes para a cobertura, e seguiu para a pauta. O salão do Iate Clube ainda vazio já prenunciava que aquela não seria uma cobertura qualquer: a galera caprichou bastante nos detalhes da decoração, para aquelas que seriam convidadas especiais. Aos poucos as protagonistas foram chegando e preenchendo os espaços. Mulheres do campo, professoras, profissionais da saúde, e muitas outras que deixaram algum afazer, com certeza muito importante, para estarem ali – unidas em suas diferenças.

O salão fervilhava, e a intensidade dos ânimos ia crescendo junto com o avanço dos ponteiros do relógio. As músicas da campanha tocavam alto no som, e as mais ousadas já faziam coreografias – um show à parte. De repente uma enorme agitação, gritos, correria, centenas de flashs. “Meu Deus! É o Justin Bieber? O Luan Santana? O Roberto Carlos? Será que algum deles veio prestigiar a festa!?” eu perguntei. “Não, mulher! É Déda!”, responderam. Corri para tentar gravar algumas imagens de tamanha euforia: me espremeram, jogaram para um lado, jogaram para o outro, mas saí ilesa – porém descabelada.

Depois de misturada àquela energia foi difícil me conter. Na Plenária das Mulheres fiquei responsável por gravar o discurso do governador… como se fosse fácil esconder a emoção. À medida em que as personagens que ajudaram Déda a construir o sucesso do governo das mudanças iam fazendo seus relatos, ficava mais difícil me segurar. E como se segurar diante de tantos sentimentos femininos compartilhados?

Quando chegou a vez de Déda falar, a comoção foi geral. A plateia respondia cada palavra com gritos de apoio, de agradecimento, de admiração. A lua cheia lá fora iluminava o Rio Sergipe, e parecia exaltar ainda mais os ânimos. Apreensiva com o momento do final da fala de Déda – sim, por que eu já estava ficando receosa com tamanha efusividade por parte da plateia – subi no palco para pegar imagens melhores, e foi de lá, amigas, que vi Déda desaparecer no meio de abraços e beijos.

Levado por elas, ele se foi. E na minha cabeça ficaram martelando as sábias palavras de Drummond: “Ninguém passa pela nossa vida sem deixar um pouco de si, sem levar um pouco de nós”.

De mim, ninguém nunca mais tira a experiencia do que vivi hoje. Delas, ninguém tira mais a certeza de que é possivel sonhar com um futuro cada vez melhor. De Déda e Dilma, ninguém tira o amor, o respeito e a lealdade conquistado com as mulheres de Sergipe e do Brasil..

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